Wednesday, September 18, 2019

Babka de doce de leite com farofinha de canela

Babka de doce de leite com farofinha de canela

Outro dia, não lembro bem o porquê, estava lembrando desta receita, de como ficou deliciosa, e me deu uma vontade louca de comer doce de leite – há dias em que eu fico bem zoiúda, tudo me dá vontade, se deixar como até a ponta da mesa: são aqueles benditos (ironia mode on) dias de TPM.

Eu não comi doce de leite naquele dia, porque não queria ficar com uma pança gigante, lutei contra a vontade e ela finalmente passou, mas me toquei de que outra receita deliciosa estava perdida no meu pen drive e eu precisava dividir com vocês. Esta babka é fofinha, saborosa e a farofinha de canela combina de maneira perfeita com o sabor do doce de leite – a ideia de colocar noz-moscada na massa veio de um programa de culinária (não me lembro qual) que mostrava os doughnuts da “Dough”- tempos depois estive em NYC e os doughnuts deles são mesmo incríveis.

Babka de doce de leite com farofinha de canela
receita minha

Massa:
2 ½ colheres (chá) de fermento biológico seco
¾ xícara (180ml) de leite integral morno
½ xícara (100g) de açúcar cristal ou refinado
1 pitada de noz-moscada ralada na hora
2 ovos grandes, temperatura ambiente
1 gema grande, temperatura ambiente
3 ½ xícaras + 1 colher (sopa) – 500g – de farinha de trigo comum
1 pitada de sal
½ colher (chá) de extrato de baunilha
½ tablete (100g) de manteiga sem sal, amolecida

Farofinha:
3 colheres (sopa) de açúcar cristal
2 colheres (sopa) de açúcar mascavo claro – aperte-o na colher na hora de medir
1 colher (chá) de canela em pó
1 pitada de sal
1 xícara (140g) de farinha de trigo
4 ½ colheres (sopa) - 63g - de manteiga sem sal, derretida e fria

Recheio:
1 ¼ xícaras de doce de leite firme

Para pincelar:
1 ovo
1 colher (chá) de água

Comece preparando a massa: na tigela da batedeira planetária, junte o fermento, o leite e 1 colher (chá) do total de açúcar e misture com um garfo. Reserve até espumar. Junte o restante do açúcar, a noz-moscada, os ovos, a gema, a farinha, o sal e a baunilha e bata com a batedeira até obter uma massa lisa, cerca de 5 minutos. Vá acrescentando a manteiga aos poucos, batendo a cada adição. Quando a massa estiver lisa e elástica, cubra com filem plástico e deixe crescer em um lugar morninho, longe de correntes de ar, por cerca de 1 ½ horas, ou até dobrar de volume.

Enquanto isso, prepare a farofinha: em uma tigela média, misture com um batedor de arame os açúcares, a canela, o sal e a farinha. Adicione a manteiga e misture com uma espátula de silicone até que a mistura pareça uma farofa grossa. Leve à geladeira.

Montagem da babka: divida a massa em duas partes iguais. Unte com manteiga duas formas de bolo inglês de 20x12cm. Em uma superfície levemente enfarinhada, abra uma das metades da massa com um rolo até obter um retângulo de aproximadamente 25x40cm, com o lado mais longo virado para você. Espalhe metade do doce de leite sobre a massa uniformemente, deixando uma beirada de 1cm sem recheio. Começando pela parte inferior da massa, enrole como se fosse um rocambole, formando um cilindro.
Vire a massa fazendo com que a emenda fique virada para baixo. Segure as duas pontas da massa, torça-a gentilmente e coloque na forma preparada. Repita o procedimento com a outra metade de massa e recheio. Cubra as babkas com filme plástico e deixe crescer novamente por 1 hora.

Pré-aqueça o forno a 200°C. Coloque o ovo e a água em uma tigelinha e bata ligeiramente com um garfo. Pincele as babkas com a mistura e espalhe sobre elas a farofinha de canela, pressionando levemente com a palma da mão para aderir. Asse por cerca de 30-40 minutos ou até que as babkas estejam bem douradas. Deixe esfriar na forma sobre uma gradinha por cerca de 25 minutos e então desenforme com cuidado sobre a gradinha – fique ciente de que algumas migalhas da cobertura se desprenderão dos pães ao desenformá-los.

Rend.: 2 babkas, que servem cerca de 8 fatias cada

Thursday, September 12, 2019

Salada de tomate, pepino, queijo e avocado para verão em pleno começo de setembro


Salada de tomate, pepino, queijo e avocado

Obrigada pelas dicas de sites com receitas vegetarianas – sempre sei que posso contar com vocês e que responderão com carinho as minhas perguntas!

Ainda não consegui ver todas as sugestões, e talvez porque logo na primeira já fiquei decepcionada – ao xeretar o blog Papa Capim, deparei com a autora chamando comida de “secreção”. Fiquei tão enojada, desanimei na hora e não pretendo voltar mais lá: não há receita boa que me faça achar normal esse tipo de coisa. Tenho para mim que é por esse tipo de comentário que tanta gente tem birra do veganismo.

Acabei também comprando dois livros, edições para o Kindle mesmo, porque lá em casa está faltando espaço para livro, e no final de semana vou dar uma espiada nos vídeos dos meninos do Bosh no Youtube.

Hoje tem foto, mas nem tem receita, porque esta salada é algo que faço sempre em casa e no olho mesmo: junto tomate cereja, pepino, feta ou queijo minas frescal em quadradinhos (se uso o último tomo um comprimido de lactase antes de comer), avocado, salsinha fresca e pedacinhos de pão sírio torrado no forno. Jogo por cima um molhinho bem básico feito com azeite, suco de limão, mostarda de Dijon, sal e pimenta. Tem sido uma refeição perfeita para os dias loucos de verão que andam aparecendo ainda no inverno.

Friday, September 06, 2019

Rolinhos de amêndoa para aquecer o corpo e a alma


Rolinhos de amêndoa

Anda fazendo um frio danado aqui em São Paulo, gente – voltando do almoço ontem eu quase congelei antes de chegar ao escritório. Um vento cortante, que faz os olhos lacrimejarem e os dentes baterem, e uma garoa fina que gela tudo e transforma o já horrível trânsito da cidade em um completo caos.

Já fui mais amiga do frio, como lhes contei tempos atrás, e hoje não vejo tanta graça assim no inverno, mas confesso que há algo que ainda me deixa animada com os dias mais gelados: ligar o forno e fazer pão. Além do meu já companheiro de todos os dias 100% integral, dá vontade de fazer pãezinhos doces também, para acompanhar um filme ou seriado (no momento, estou viciada em “The Good Wife”). Os rolinhos de amêndoa que lhes trago hoje são um xodó meu: quando criei a receita, ainda pensando no livro, fiquei tão orgulhosa do resultado! Os rolinhos, além de saborosos, ficaram tão bonitinhos. :D Espero que vocês liguem o forno em suas casas e se aqueçam com estes pãezinhos também.

Rolinhos de amêndoa

Rolinhos de amêndoa
receita minha

- xícara medidora de 240ml

Massa:
200ml de leite integral
¼ xícara (56g) de manteiga sem sal, temperatura ambiente e picada
2 ¼ colheres (chá) - 7g - de fermento biológico seco
¼ xícara + 2 colheres (sopa) - 75g - de açúcar cristal
1 ovo grande, temperatura ambiente
1 pitada de sal
½ colher (chá) de extrato de baunilha
3 ¼ xícaras (455g) de farinha de trigo comum

Recheio:
raspas da casca de 1 limão siciliano
¼ xícara (50g) de açúcar demerara
½ xícara (50g) de farinha de amêndoa
¼ xícara (56g) de manteiga sem sal, amolecida
2 colheres (chá) de Amaretto - uso sempre para substituir extrato de amêndoa; use se quiser/tiver em casa

Para pincelar:
1 ovo, temperatura ambiente, batido com 1 colher (chá) de água

Para polvilhar:
açúcar de confeiteiro

Comece preparando a massa: em uma panelinha aqueça o leite até que comece a ferver. Retire do fogo, junte a manteiga e deixe derreter. Assim que a mistura estiver morna, despeje na tigela da batedeira planetária e junte o fermento biológico e o açúcar, misturando bem. Reserve por 5 minutos ou até espumar. Acrescente o ovo, o sal, a baunilha e a farinha bata com o batedor em formato de gancho em velocidade média por cerca de 8 minutos ou até que uma massa lisa e elástica se forme – se preferir, sove à mão por 12-15 minutos. Transfira a massa para uma tigela grande levemente untada com manteiga, cubra com filme plástico e deixe crescer em um lugar morninho, longe de correntes de ar, por cerca de 1 ½ horas, ou até dobrar de volume.

Enquanto isso, prepare o recheio: junte as raspas de limão e o açúcar em uma tigela média e esfregue com as pontas dos dedos até o açúcar ficar aromatizado. Junte a farinha de amêndoa, a manteiga e o Amaretto e misture bem. Reserve.

Transfira a massa para uma superfície levemente enfarinhada e abra com um rolo, formando um retângulo de 30x40cm. Espalhe o recheio sobre toda a massa, deixando 1cm de borda sem recheio. Começando pelo lado mais longo, dobre a massa ao meio, formando agora um retângulo de 15x40cm. Aperte as beiradas da massa para selar bem o recheio, e então corte em 12 fatias. Torça cada fatia levemente, formando uma espiral, e então vá enrolando a ponta para dentro, até formar um disco/círculo. Prenda a ponta apertando levemente a massa com os dedos e transfira todos os rolinhos para uma assadeira grande e rasa forrada com papel manteiga, deixando uma distância de 5cm entre os rolinhos. Cubra com um pano de prato limpo e seco e deixe crescer novamente por 40-45 minutos – enquanto isso, preaqueça o forno a 200°C.

Pincele os rolinhos com o ovo batido e leve ao forno por cerca de 25minutos ou até que dourem bem. Deixe esfriar na forma sobre uma gradinha por 5 minutos, e então deslize o papel sobre a gradinha com cuidado. Deixe esfriar (ou sirva mornos, ficam deliciosos). Antes de servir, polvilhe com açúcar de confeiteiro.

Rend.: 12 unidades


Wednesday, September 04, 2019

Cookies de centeio, amêndoa e limão siciliano, outro obrigada e mais uma pergunta


Cookies de centeio, amêndoa e limão siciliano

Obrigada pelo carinho que vocês me enviaram ao lerem o post sobre a minha avó: senti cada abraço, cada cafuné daqui. Vocês são incríveis. <3


Ultimamente ando alugando vocês demais, não? :) Pois hoje de novo: já comentei aqui no blog e também no Instagram que aqui em casa consumimos pouca carne vermelha (uma vez por semana e olhe lá, às vezes nem isso) e quase nada de frango – a única carne de porco que compro é bacon, e também raramente. Nossas refeições são muitas vezes são veganas sem querer mesmo, porque amo vegetais. Sempre sinto vontade de prepará-los de maneiras mais interessantes e aqui vai a minha pergunta para quem sente o mesmo: onde vocês buscam inspiração? Tem blogs ou sites de receita vegetarianos e veganos bacanas para me indicar? Ganhei de uma amiga querida o livro “O que tem na geladeira?” da Rita Lobo, mas o que busco mesmo é usar vegetais em receitas boas, não somente outras formas de prepará-los individualmente: isso eu já faço e prepará-los assados é imbatível (também confesso que o bode que peguei da Rita me impede de aproveitar o livro como deveria).

Eu não lhes pediria um favor sem oferecer um agradinho em troca, né? :D Trago cookies deliciosos e que combinam demais com um café ou chá quentinho neste dia gelado em São Paulo. Dá para trocar a farinha de amêndoa por de caju ou amendoim, por exemplo, e criar novos sabores igualmente saborosos.

Cookies de centeio, amêndoa e limão siciliano
adaptados dos cookies integrais deste livro

- xícara medidora de 240ml

¾ xícara (150g) de açúcar cristal
raspas da casca de 2 limões sicilianos
1/3 xícara (75g) de cream cheese, temperatura ambiente
½ xícara + 1 colher (sopa) – 127g – de manteiga sem sal, temperatura ambiente
1 colher (chá) de extrato de baunilha
1 colher (chá) de Amaretto – uso sempre para substituir extrato de amêndoa; use se quiser/tiver em casa
2 gemas, temperatura ambiente
165g de farinha de trigo
50g de farinha de centeio fina – eu compro aqui
50g de farinha de amêndoa
1 colher (chá) de fermento em pó
1 pitada de sal
½ colher (chá) de noz-moscada ralada na hora

Preaqueça o forno a 180°C e forre duas assadeiras grandes e rasas com papel manteiga. Em uma tigela média, misture com um batedor de arame as farinhas de trigo, de centeio, de amêndoa, o fermento, o sal e a noz-moscada. Reserve.

Na tigela da batedeira, junte o açúcar cristal e as raspas de limão e esfregue com as pontas dos dedos até o açúcar ficar aromatizado. Junte a manteiga e bata até obter um creme claro – raspe as laterais da tigela ocasionalmente durante todo o preparo da receita.
Junte as gemas e bata para incorporar. Adicione a baunilha e o Amaretto e bata. Desligue a batedeira, acrescente a mistura de ingredientes secos de uma vez e misture em velocidade baixa somente até incorporar e uma massa se formar.

Faça bolinhas usando 2 colheres (sopa) niveladas de massa por biscoito e coloque-as nas assadeiras preparadas deixando 5cm de distância entre elas. Asse por 12-14 minutos ou até que os biscoitos dourem bem nas extremidades. Deixe esfriar nas assadeiras por 5 minutos e então deslize o papel com os biscoitos para uma gradinha e deixe esfriar completamente.

Rend.: cerca de 22 unidades

Monday, September 02, 2019

Um post para minha avó


Um post para a minha avó

A primeira receita que fiz na vida me foi ensinada pela minha tia-avó Angélica, quem lê o blog sabe e alguns de vocês já provaram o bolo de fubá da tia. Minha tia-avó e minha avó foram as minhas primeiras professoras na cozinha, mas confesso que minha avó e eu nunca tivemos um relacionamento muito calmo, e por isso eu sempre recorri muito mais à tia Angélica, que era infinitamente menos brava.

A vó Iza começou a cuidar da gente quando minha mãe foi diagnosticada com câncer: eu tinha 3 anos e meu irmão tinha 6 meses de idade. Ela continuou com a gente depois que a minha mãe faleceu e ficou até o meu pai cagar, ops, casar de novo. Eu e a vó brigávamos quase todos os dias, ela me chamando de “boca dura” e me pondo de castigo – nunca bateu, isso quem fazia era meu pai –, eu retrucando a torto e a direito. Um dos castigos era lavar louça, vejam só, o outro era ir à feira com ela às sextas comprar os legumes e frutas para a semana – quem diria que no futuro eu me tornaria turista de supermercado, não é mesmo? Mas quando eu respondia demais ia para o quarto escuro, logo. :D

Passei muitos anos da minha vida chateada com a minha avó, pois para mim foi sempre clara a sua preferência por meu irmão (até escrevi sobre isso aqui no blog tempos atrás). Eu achava que era por ele ser mais novo, mas quando meu sobrinho nasceu tive uma epifania: o amor que eu tinha por ele era muito maior do que eu imaginava que sentiria quando soube que meu irmão seria pai: ao ver a primeira foto do meu pequeno, ainda pelo Facebook, eu o amei ali, naquele momento – me senti inundada por um sentimento imensamente maior do que qualquer coisa que havia sentido antes. Conforme o tempo foi passando e fui ajudando minha cunhada e meu irmão a cuidarem do pequeno – eu estava desempregada quando ele nasceu e a família da minha cunhada não mora em São Paulo – fui entendendo que o que minha avó tinha pelo meu irmão não era amor de avó, e sim de mãe, por ter cuidado dele quando minha mãe não pôde. E foi assim, sentindo esse amor imenso dentro do peito, que fui compreendendo minha avó e a perdoando por todos aqueles anos. Fui deixando todo aquele amargor para trás e encarando tudo de uma forma totalmente diferente.

Mas por que estou lhes contando tudo isso hoje? Porque minha avó está com Alzheimer e ela não se lembra mais de mim, ela não se lembra de quase ninguém. Ela pede para falar comigo e quando me vê não acredita que sou eu e briga dizendo que a Patricia tem que estar na escola, pois é dia de aula. Meu irmão está arrasado, pois ela também não se lembra dele. É uma tristeza muito grande. Eu queria tanto poder abraçá-la e dizer-lhe o quanto eu a entendo agora, e que não tenho mais mágoa do amor dela pelo João Paulo, e que sou grata por tudo o que ela fez, mas não adianta mais. A minha epifania veio tarde demais. Sinto uma dor enorme por ter perdido a oportunidade de lhe dizer todas estas coisas, e por isso as escrevo aqui, para que fique gravado de alguma forma. Vó, eu respondi e briguei com você, quebrei várias louças de pirraça, amassei vários mamões e derrubei muitas sacolas de compras, pois eu queria ser a preferida, viu? Era só isso. Deixo aqui o meu amor por você com uma foto de um dos pratos que você me ensinou a fazer, o seu feijão delicioso, que a gente chamava feijãozinho do dia-a-dia, mas que era sempre incrementado com bacon, paio, e às vezes, costelinha. Quando a fase “chato para comer” do Pingo passar eu vou preparar este feijão para ele e contar que foi a bisa que me ensinou. Te amo, vó. Obrigada por tudo.

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