quinta-feira, setembro 02, 2021

Bolo-pudim de ameixa e mirtilo, inspirações e um filme

Bolo-pudim de ameixa e mirtilo


Outro dia pensava em como às vezes procuro inspiração em tantos lugares, sendo que um deles, os filmes, que sempre me inspiraram, eu andava deixando de lado, por pura impaciência e uma constante sensação de saco cheio. Saco cheio de tudo, e saco cheio de nada específico ao mesmo tempo.

Os meus filmes tão amados, que me acompanham desde a minha solitária adolescência e que me ajudaram a batizar o blog de Technicolor Kitchen, nem eles andavam me animando mais.

Um domingo decidi que iria ver um filme, qualquer um que fosse, por mais tolo que fosse. Tá, tolo também não, não vamos forçar. :) Fui ao Mubi e lá encontrei “Asas do Desejo”, que havia mais de uma década que queria ver e não encontrava em lugar nenhum. Fiquei completamente arrebatada pelo filme, pelo olhar sereno de Bruno Ganz, pelas imagens de Berlim, pelos anjos debruçados sobre pessoas em uma biblioteca. Tudo é tão bonito, tão etéreo, e ao mesmo tempo melancólico – só de lembrar fico com os olhos marejados. Não é sempre que um filme me deixa assim emocionada e pensativa por tanto tempo, e quando isso acontece só posso agradecer.

Terminei o filme, fui tomar um banho e, pensando no tinha visto, comecei a cantarolar “Stay”, do U2, no chuveiro, sem perceber. Ao final de “Asas do Desejo” eu já queria ver a continuação, “Tão Longe, Tão Perto”, e meu cérebro juntou tudo e me trouxe à memória uma canção que eu não ouvia havia outra década, mas ainda me lembrava da letra o suficiente para cantar um bom trecho.

Essas conexões feitas em nossas mentes me fascinam, me alegram, me inspiram. Foi assim que, olhando para uma ameixa dando sopa na geladeira, decidi preparar uma receita com ela, mas algo diferente, novo, mas não sabia exatamente o que. Sem perceber, me veio à cabeça uma receita que eu já tinha visto em alguns livros e revistas diferentes, chamada “Eve’s pudding”, pudim da Eva, em que pedaços de maçã são cobertos por uma massinha de bolo e levados ao forno: nunca havia provado, mas não tinha como aquilo não ser incrível. :)

Adaptei diferentes receitas, usei ameixas no lugar das maçãs e como elas não eram suficientes para encher os potinhos, completei com mirtilos que estavam no freezer – se quiser, faça só com ameixas, e tenho certeza de que completar as ameixas com morangos ficaria bom demais – aliás, só o que posso dizer a vocês é façam esta receita, pois é absurdamente deliciosa.

 

Bolo-pudim de ameixa e mirtilo

adaptado de algumas receitas de Eve’s pudding

 

- xícara medidora de 240ml

 

1 ameixa grande (cerca de 130g), sem o caroço e em cubinhos de 1cm

¼ xícara (35g) de mirtilos congelados – usar sem descongelar

1/3 xícara (46g) de farinha de trigo

1 colher (sopa) de farinha de trigo integral

1/8 colher (chá) de canela em pó

¼ colher (chá) de fermento em pó

1 pitada de sal

¼ xícara (56g) der manteiga sem sal, amolecida

¼ xícara (50g) de açúcar cristal ou refinado

1 ovo grande, temperatura ambiente

¼ colher (chá) de extrato de baunilha

 

Preaqueça o forno a 180°C. Separe dois potinhos refratários com capacidade para 200ml cada e divida as ameixas e os mirtilos entre os dois potinhos.

Em uma tigela pequena, misture com um batedor de arame as farinhas, a canela, o fermento e o sal. Reserve.

Em uma tigela média, junte a manteiga e o açúcar e bata até obter um creme claro – bati na mão mesmo, preguiça de sujar a batedeira com tão pouca massa. Junte o ovo e bata bem. Acrescente a baunilha e misture. Junte os ingredientes secos reservados e misture delicadamente com uma espátula de silicone até obter uma massa lisa.

Espalhe a massa sobre as frutas e alise a superfície, cobrindo bem. Leve ao forno por cerca de 20 minutos ou até a massa dourar bem e as frutas borbulharem.

Sirva puro, com sorvete, chantilly ou creme de leite.

Rend.: 2 porções 

quarta-feira, agosto 25, 2021

Waffles de limão e sementes de papoula e lembranças boas de viagens

English version

Waffles de limão e sementes de papoula


Em tempos de pandemia, em que viajar se tornou algo complicado (pelo menos para quem segue o distanciamento social), de vez em quando dou uma espiada nas minhas fotos de viagens passadas, geralmente às quintas-feiras, dia de #tbt nas redes sociais. Em um primeiro momento pensei “que sofrimento, pra que ficar olhando foto de viagem e passando vontade?”, mas logo em seguida percebi o tamanho do meu privilégio, de ter conseguido conhecer lugares incríveis antes disso se tornar mais difícil -  mesmo com a vacina o nosso dinheiro se tornou tão desvalorizado que viajar para fora do país voltou a ser algo para poucos, como era no passado.

Olho para as fotos, passo vontade, sim, mas também me sinto feliz por ter vivido momentos tão gostosos. Penso nos lugares incríveis que visitei, nos museus maravilhosos e lindos parques, nos restaurantes e nas comidas deliciosas que provei. Dá saudade, mas também dá alegria.

Procurando as fotos de viagem, encontrei um pastinha com fotos de receitas que fiz para o blog e que, por alguma razão específica, não publiquei: não gostei da foto, ou a receita não ficou exatamente como que eu queria, ou por causa de algum ingrediente, como no caso destes waffles.

Fiz esta receita há bastante tempo, com sementes de papoula que havia trazido de viagem, e não quis postar porque não estava conseguindo encontrar o ingrediente por aqui, e muita gente sempre me pergunta onde eu compro as sementinhas. Já encontrei, no passado, no Pão de Açúcar, e também na Bombay Temperos, mas faz muito tempo que está indisponível no site deles.

Há algumas semanas alguém que sigo no Instagram indicou a Cípria Ervas & Especiarias (pena eu não lembrar quem foi para dar os devidos créditos) dizendo que eles tinham sementes de papoula, e fui correndo comprar. Aproveitei e coloquei também no carrinho a manjerona seca deles, que ficou deliciosa salpicada sobre a pizza (não é publi, viu, gente?)

Os waffles ficam deliciosos, com um perfume incrível de limão e a crocância extra das sementinhas, mas é claro que você pode fazer sem elas – eu já fiz várias vezes, quando meu estoque acabou, e ficam ótimos do mesmo jeito. Gosto de servir com mel ou só uma chuvinha de açúcar de confeiteiro, para aqueles dias em que a gente precisa de um café da manhã ou lanchinho da tarde mais especial.

  

Waffles de limão e sementes de papoula

receita minha, adaptada desta aqui

 

- xícara medidora de 240ml

 

2 colheres (sopa) de açúcar cristal

raspas da casca de 2 limões taiti grandes

1 ¼ xícaras (175g) de farinha de trigo

2 colheres (chá) de fermento em pó

1 pitada de sal

1 colher (sopa) de sementes de papoula

1 ovo grande

¼ xícara (60ml) de azeite de oliva extra virgem

¾ xícara (180ml) de leite integral, temperatura ambiente

2 colheres (chá) de suco de limão taiti

½ colher (chá) de extrato de baunilha

 

Em uma tigela média, misture o açúcar e as raspas de limão e esfregue-os juntos com as pontas dos dedos até aromatizar o açúcar. Junte a farinha, o fermento, o sal e as sementes de papoula e misture com um batedor de arame. Reserve.

Em uma tigela pequena, misture com um batedor de arame o ovo, o azeite, o leite, a baunilha e o suco de limão. Verta os líquidos sobre os ingredientes secos e misture com uma espátula de silicone somente até incorporar – não misture demais.

Preaqueça a máquina de waffle. Cozinhe porções de massa por vez, até que cada waffle doure - siga as instruções do fabricante. Sirva com mel, melado ou com o que preferir.

Rend.: 5-6 waffles

quarta-feira, agosto 18, 2021

Bolo de iogurte, geleia de framboesa e amêndoa e mais um monte de coisas

Bolo de iogurte, geleia de framboesa e amêndoa

Depois do post escrito na força do ódio da semana passada, quero hoje escrever sobre pequenas alegrias e prazeres, e alguns deles podem até parecer tolos, mas que tem me ajudado a não ficar desgraçada da cabeça vivendo uma pandemia descontrolada em um país desgovernado e a um passo de um golpe.

Percebam que eu tentei fazer um post mais alegrinho, né? Mas sendo brasileira o máximo que a gente consegue são algumas palavras de amor antes de ficar revoltada tudo de novo.

Tempos atrás comprei uns moletons pela internet, torcendo muito para que servissem quando chegassem – não tenho o hábito de comprar roupas online porque acertar o tamanho sem provar é um desafio para mim. Os moletons serviram e nestes dias gelados em São Paulo tem sido meus melhores amigos no home office.

Comprei alguns chás de sabores diferentes e eles tem alegrado as minhas tardes – sempre tomei bastante chá, mesmo no calor (daí tomo frio), mas provar coisas diferentes acaba sendo um agrado especial em tempos de distanciamento social e vários dias em casa.

Fiz o curso “Escrever Sem Medo” da minha musa linguística, a maravilhosa Jana Viscardi, e também o curso de escrita criativa da Aline Valek (outra maravilhosa) no site da Domestika, e foram tão bons! Uma oxigenação no meu cérebro cansado da mesma rotina – a vontade de escrever voltou, o que me dá muita alegria. Meus caderninhos vão se enchendo, documentos no Word vão pipocando aqui e ali... Criatividade me movendo em dias que nem sempre dá vontade de seguir o roteiro levantar da cama, trabalhar, almoçar, malhar, tomar banho, dormir, pra começar tudo de novo no dia seguinte.

E falando em criar, bolei outra versão do agora querido também por vocês do bolo de iogurte do Epicurious: a inspiração de juntar amêndoa e framboesa veio da combinação de sabores clássica da Bakewell slice, receita que publiquei aqui há dez anos. O bolo ficou super gostoso, e achei que fotogênico também – vocês não acham? :)

 

Bolo de iogurte, geleia de framboesa e amêndoa

adaptado, novamente, do bolo de iogurte do Epicurious

 

- xícara medidora de 240ml

 

1 ½ xícaras (210g) de farinha de trigo

2 colheres (chá) de fermento em pó

¼ colher (chá) de canela em pó

¼ colher (chá) de sal

¾ xícara + 2 colheres (sopa) - 175g - de açúcar, cristal ou refinado

¾ xícara (180g) de iogurte natural integral – 1 potinho de 170g também funciona

½ xícara (120ml) de óleo vegetal – usei de canola

2 ovos grandes, temperatura ambiente

½ colher (chá) extrato de baunilha

2 colheres (chá) de Amaretto (opcional – intensifica o sabor de amêndoa)

4 colheres (sopa) de geleia de framboesa

3 colheres (sopa) de amêndoas em lâminas

 

Preaqueça o forno a 180°C. Pincele levemente com óleo uma forma de bolo inglês com capacidade para 6 xícaras de massa (1 litro e meio), forre com papel manteiga deixando sobras nos dois lados mais longos, formando “alças” que vão lhe ajudar a remover o bolo depois de assado. Pincele o papel com óleo também.

Em uma tigela média, peneire a farinha, o fermento, a canela e o sal. Reserve.

Em uma tigela grande, junte o açúcar, o iogurte, o óleo, os ovos, a baunilha e o Amaretto e misture usando um batedor de arame, até obter uma massa homogênea. Com uma espátula de silicone, incorpore os ingredientes secos – se a massa ficar muito engrumada, misture levemente com o batedor de arame, mas não bata demais para não desenvolver o glúten da farinha. Despeje a massa na forma preparada e alise a superfície.

Espalhe as colheradas de geleia sobre o bolo, com jeitinho para que não afundem demais, e então espalhe por toda a superfície da massa. Salpique as amêndoas sobre a geleia, e não se esqueça dos cantinhos.

Asse por 50-55 minutos ou até que o bolo cresça e doure (faça o teste do palito). Deixe esfriar na forma sobre uma gradinha por 15 minutos, e então remova com cuidado da forma, usando o papel como guia. Transfira para a gradinha e deixe esfriar completamente.

O bolo pode ser guardado em um recipiente hermético por até 4 dias – aqui em casa, como estava frio, 4 dias depois o bolo ainda continuava em perfeitas condições; se estiver muito quente onde você mora, guarde na geladeira depois de 1-2 dias para que não embolore. 

Rend.: 8 porções

 

quarta-feira, agosto 11, 2021

Ameixas assadas e mais uma reclamação

Ameixas assadas


Hoje volto aqui pra reclamar, mas desta vez não será do frio, prometo. :)

Ando vendo uns vídeos pelo Instagram que estão me deixando cabreira: pessoas fazendo dancinhas sobre como “era para ser apenas quinze dias”, e então elas começam a apontar para vários lados, e as caixinhas de texto aparecem com as diversas realizações que obtiveram durante a pandemia.

Seguro a vontade de jogar o celular na parede, afinal de contas quem vai ter que pagar por outro sou eu.

Entendo que a pandemia tem impacto diferente para cada um de nós, eu todos os dias agradeço ao Universo por não ter perdido ninguém que amo para esta doença maldita, mas daí a fazer vídeo com dancinha comemorando, enquanto são quase 600 mil mortos e não há vacina para todos... Realmente não entra na minha cabeça.

Não sei se o problema sou seu, mas algumas pessoas me parecem vazias demais e essa casca oca ficou mais evidente desde que a pandemia começou.

Como estou azeda hoje (de novo!) e não tinha nenhuma receita docinha para dividir com vocês, trago as ameixas assadas que faço de vez em quando, divinas para comer com iogurte, sorvete de baunilha ou para deixar o arroz doce ainda mais especial (eu e o arroz doce, vocês sabem...). :)

Corto as ameixas ao meio, retiro os caroços, transfiro as frutas para um refratário raso e polvilho com um pouco de açúcar (provo as ameixas antes de assar e ajusto a quantidade de açúcar dependendo do quanto as frutas estão maduras e doces). Uma ou duas rama de canela – se gostar, pode colocar um anis estrelado também – e uns 20-30 minutos de forno, dependendo do tamanho das frutas, virando na metade do tempo. 

Depois de esfriar, você pode guardar na geladeira, em um recipiente hermético bem fechado, por até uma semana, mas eu gosto mesmo é de comer enquanto ainda estão pelando, saindo do forno. 

quinta-feira, agosto 05, 2021

Bolo-pudim de maracujá e coco para adoçar a minha reclamação constante

Bolo-pudim de maracujá e coco


Começo o post já pedindo desculpas, mas vou novamente reclamar do frio – ando me sentindo tão travada, o corpo, as costas, deixei de me exercitar diariamente porque não aguento lavar o cabelo depois (a dor de cabeça ferrenha vem com tudo, obrigada, sinusite), o pés gelados o dia todo, não importa quantas meias eu consiga fazer caber umas sobre as outras, as mãos trincando, os dedos dormentes batendo nas teclas do computador.

Desculpem, desculpem, desculpem: tô de mau humor, acho que já deu pra perceber. O frio excessivo me deixa chata.

Hoje mais cedo enviei uma newsletter com receitas de sopa (não assina a minha cartinha ainda? Clica aqui!) e tô dando graças ao Universo por ter uma porção de sopa de legumes na geladeira: vou aquecer e colocar macarrãozinho miúdo, jantar já no jeito.

Mas nem só de sopas a gente vive, né? Vez em quando, um docinho vai tão bem... Se for quentinho, então, é perfeito – como o bolo-pudim de maracujá e coco que trago hoje. Fiz apenas meia receita, pois dois potinhos são mais do que suficientes aqui em casa (eu comi um e meio sozinha em um dia de teto-baixo, confesso), mas posto abaixo a receita toda, que rende 4 potinhos.

 

Bolo-pudim de maracujá e coco

adaptados de uma receita do Waitrose – se você entende inglês, o site é uma ótima fonte de receitas


- xícara medidora de 240ml

 

¼ xícara (35g) de farinha de trigo

¼ colher (chá) de fermento em pó

¼ xícara (25g) de coco ralado seco, sem adição de açúcar

1 pitada de sal

2 ovos grandes, temperatura ambiente, claras e gemas separadas

¼ xícara (56g) de manteiga sem sal, amolecida

¼ xícara + 2 colheres (sopa) - 75g - de açúcar cristal ou refinado

200ml de leite integral, temperatura ambiente

½ xícara (120ml) de polpa de maracujá passada pela peneira

 

Preaqueça o forno a 180°C e pincele levemente com manteiga 4 potinhos refratários com capacidade para 1 xícara (240ml) cada. Coloque uma leiteira ou panela com água para ferver – vamos usá-la para fazer um banho-maria.

Em uma tigelinha, misture bem com um batedor de arame a farinha, o fermento, o coco e o sal. Reserve.

Bata as claras na batedeira em velocidade alta até que fiquem em neve, com picos firmes. Reserve.

Em outra tigela (ou na mesma das claras, se você preferir transferi-las para outra tigela, como eu fiz), bata a manteiga e o açúcar até obter um creme claro – raspe as laterais da tigela algumas vezes durante todo o preparo da receita. Junte as gemas, uma a uma, batendo bem a cada adição. Com a batedeira em velocidade baixa, adicione os ingredientes secos em três adições, alternando com o leite, em duas adições, e misture apenas até uma massa se formar. Adicione a polpa de maracujá e misture em velocidade baixa até incorporar. Desligue a batedeira e junte 1/3 das claras à massa e misture bem. Em seguida, junte o restante das claras e desta vez misture delicadamente, de baixo para cima, para que a massa fique bem leve e aerada.

Divida a massa igualmente entre os potinhos preparado e alise a superfície. Transfira os potinhos para uma assadeira funda e despeje água na assadeira até que ela chegue à metade da altura dos potinhos. Leve ao forno por cerca de 15 minutos ou até que o topo esteja firme, como um bolo (a calda estará por baixo). Sirva imediatamente.

Rend.: 4 porções

terça-feira, julho 20, 2021

Brownies triplos com farinha integral e o cansaço estampado na cara

Brownies triplos com farinha integral


Tenho me sentido muito cansada de algumas semanas para cá, e a exaustão está estampada em meu rosto – levanto da cama, me olho no espelho e penso: “hoje não vai ter maquiagem que dê jeito nestes olhos fundos”.

Viver no Brasil atualmente drena as minhas energias, me deixa deprimida, rouba o meu sono no meio da madrugada. Há vezes em que custo acreditar que chegamos a este ponto, me pergunto que fundo de poço é esse que tem alçapão, gente? Como é possível termos esta fama de povo acolhedor e simpático pelo mundo, sendo que muitos (muitos) de nós são esses seres podres por dentro, cheios de preconceitos e desprezo pela vida alheia – o perfeito reflexo daquela desgraça que ocupa o Palácio do Planalto.

Desculpem-me pelo texto amargo – sinto uma raiva e uma revolta tão grandes, sentimentos ruins que até pouco tempo da minha vida eu não sabia que pudessem ser tão fortes e tão destruidores. Sinto tristeza por ter tanto ódio dentro de mim.

Por mais que eu geralmente tenha uma alimentação regrada no dia-a-dia e tente (atenção para o verbo tentar) não me recompensar com comida tenho minhas recaídas, e tempos atrás resolvi fazer uns brownies, pois estava me sentindo muito pra baixo: chamemos de injeção de ânimo em forma de chocolate. 

Usei um pouco de farinha integral, juntei pedacinhos de chocolate ao leite e branco à massa e fiz uma receita menor, para que os brownies não ficassem tão altos ao serem assados em uma forma quadrada de 20cm.

Os brownies ficaram deliciosos, com um sabor intenso de chocolate e uma textura úmida, do jeito que gosto. Por isso, fotografei os brownies e divido com vocês hoje a receita – talvez vocês também estejam precisando de uma injeção de ânimo...

 

Brownies triplos com farinha integral

receita minha

 

- xícara medidora de 240ml

 

100g de chocolate amargo picadinho – usei um com 70% de cacau

½ xícara (113g) de manteiga sem sal

½ xícara (100g) de açúcar cristal ou refinado

3 colheres (sopa) de açúcar mascavo claro – aperte-o na colher na hora de medir

1 colher (chá) de extrato de baunilha

2 ovos grandes, temperatura ambiente

1/3 xícara (46g) de farinha de trigo comum

3 colheres (sopa) – 30g – de farinha de trigo integral

¼ colher (chá) de sal

50g de chocolate ao leite picado

50g de chocolate branco picado

 

Preaqueça o forno a 180°C. Unte levemente com manteiga uma forma de metal quadrada de 20cm, forre-a com papel alumínio deixando sobras em dois lados opostos e unte o papel também.

Em uma tigela refratária grande, junte o chocolate amargo e a manteiga e leve ao banho-maria (em fogo baixo, sem deixar o fundo da tigela tocar a água) até que os ingredientes derretam. Retire do fogo, acrescente os açúcares e a baunilha e misture bem com um batedor de arame. Deixe esfriar, e então junte os ovos, um a um, e misture bem com o batedor.

Adicione a farinha de trigo, a farinha integral e o sal e incorpore-os usando uma espátula de silicone, misturando até obter uma massa homogênea. Incorpore o chocolate ao leite e o chocolate branco. Espalhe na forma preparada e alise a superfície.

Asse por 18-20 minutos ou até que um palito inserido no centro do brownie saia com migalhas úmidas. Deixe esfriar completamente na forma sobre uma gradinha.

Corte em quadradinhos para servir.

Rend.: 16 unidades

terça-feira, julho 13, 2021

Espaguete com molho de limão siciliano - comida na mesa em pouquíssimo tempo

Macarrão com molho de limão siciliano


Dias atrás eu perguntei para vocês no Instagram a sua receita favorita com limão – coloquei uma foto de limões sicilianos, mas na verdade penso que pode ser qualquer limão. Antes de comprar o pacotão de limão siciliano em promoção, eu andava usando limão cravo com bastante frequência e com resultados deliciosos. 

Muitos de vocês são como eu, apaixonados e apaixonadas por esta fruta azedinha maravilhosa, e amamos bolos, tortas, barrinhas – só de pensar nestas barrinhas, por exemplo, eu fico com água na boca! Teve bastante gente também que falou macarrão com limão e sim, como é gostoso! Além de facílimo e rápido de fazer.

Já publiquei uma receita de macarrão com molho de limão siciliano há séculos no blog, mas resolvi dividir com vocês a forma como tenho feito de uns tempos pra cá: alterei um pouco a receita, pois acho que fica mais saboroso juntar o macarrão ao molho na frigideira e deixar que se misturem um pouquinho ainda no fogo.

Prático demais, suja pouca louça e o que mais demora na receita é esperar a água ferver – depois do bolo de aniversário do blog, foi a receita em que mais usei os meus limões da promoção. :)

 

Espaguete com molho de limão siciliano

receita minha, adaptada de várias versões que existem por aí

 

200g de espaguete, ou a massa da sua preferência

1 colher (sopa) de azeite de oliva extra virgem

1 colher (sopa) – 14g – de manteiga sem sal

raspas da casca de 1 limão siciliano grande

1 colher (sopa) de suco de limão siciliano

2 colheres (sopa) de folhas de salsinha, bem picadinhas – pique, depois meça

sal e pimenta do reino moída na hora

¼ xícara de parmesão ralado bem fininho – com pecorino também fica uma delícia

 

Para servir:

parmesão ralado


Em uma panela grande, aqueça água até ferver. Acrescente sal. Quando ferver, adicione o macarrão e cozinhe pelo tempo indicado na embalagem – enquanto a água ferve e o macarrão cozinha, prepare o molho.

Em uma frigideira antiaderente grande, junte o azeite, a manteiga, as raspas e o suco de limão e a salsinha. Tempere com sal e pimenta do reino e então leve ao fogo médio-alto, mexendo até que a manteiga derreta e os ingredientes estejam bem misturados.

Escorra o macarrão, reservando ¼ xícara (60ml) da água do cozimento. Transfira o macarrão escorrido para a panela com o molho, polvilhe com o parmesão e misture bem, cozinhando por 1 minuto – se o molho estiver seco demais, junte a água reservada, aos poucos. Sirva imediatamente polvilhado com queijo ralado.

Rend.: 2 porções

domingo, julho 04, 2021

Bolo de iogurte, pistache e limão siciliano para um blog debutante

English version

Bolo de iogurte, pistache e limão siciliano

Já faz alguns meses que andava pensando no que faria para comemorar o aniversário do TK – não é todo dia que um blog debuta! Quinze anos são uma trajetória e tanto!

Queria fazer um bolo de camadas, pois há séculos não faço nada parecido. Mas, ao mesmo tempo, não queria desperdício, e um bolo desses, só pra duas pessoas, sendo que uma delas não é chegada a doces não seria uma ideia tão boa.

Continuei pensando, e o tempo foi passando. “Ah, vou acabar não fazendo nada, até mesmo por falta de tempo”.

Semana passada eu estava no mercado e dei de cara com limões sicilianos com um preço muito bom: estavam bonitos, bem amarelinhos – separei alguns e coloquei no carrinho. Havia meses que não trazia limões sicilianos para casa, pois estavam caros demais. Continuei com as compras, lista na mão.

Em direção à geladeira para pegar iogurte e manteiga, passei pelo corredor dos ingredientes naturebas – de longe, uma etiqueta vermelha chamou a minha atenção. Na prateleira de farinhas diferentonas – de grão-de-bico, de amêndoa, de teff – a caixinha de farinha de pistache estava baratinha, pois estava a data de vencimento estava próxima. Eu sempre ficava de olho naquela farinha, mas era muito cara e eu me negava a comprar.

“Só pode ser um sinal”, pensei. Dois ingredientes que amo, por um preço decente, na semana anterior ao aniversário do blog. “Vou fazer um bolo simples, porém delicioso, para comemorar os quinze anos do TK”.

Saiu este bolo de limão siciliano e pistache, que ficou com um sabor maravilhoso e uma textura incrível – lembrou demais marzipã, apesar de não ser de amêndoa. Bem úmido, macio, saboroso, foi devorado nas poucas tardes geladas que tivemos ultimamente em São Paulo: João com seu espresso, eu com meu chá de hortelã.

Com este bolo simples de fazer, mas com sabores muito especiais para mim, comemoro quinze anos de receitas, posts, desabafos, histórias de família. Coisas engraçadas, tristezas, lambadas da vida que dividi com vocês.

Muito obrigada pela companhia tão querida por tanto tempo – saibam que trago comigo com carinho os comentários, e-mails, fotos nas redes sociais, mensagens, respostas à minha newsletter. <3

Bolo de iogurte, pistache e limão siciliano

 

Bolo de iogurte, pistache e limão siciliano

um nadinha adaptado do Epicurious, de novo!

 

 - xícara medidora de 240ml

 

Bolo:

1 ¼ xícaras (175g) de farinha de trigo

½ xícara (50g) de farinha de pistache – use a farinha de oleaginosa que preferir

2 colheres (chá) de fermento em pó

¼ colher (chá) de sal

1 xícara (200g) de açúcar, cristal ou refinado

raspas da casca de 2 limões sicilianos

¾ xícara (180g) de iogurte natural integral – 1 potinho de 170g também funciona

½ xícara (120ml) de óleo vegetal – usei de canola

2 ovos grandes, temperatura ambiente

1 colher (sopa) de Cointreau – opcional

½ colher (chá) extrato de baunilha

 

Para polvilhar:

1 colher (sopa) de açúcar cristal ou demerara - aqui, o refinado não funciona, pois é muito fininho. Se não tiver os outros açúcares em casa, pule esta etapa da receita


Preaqueça o forno a 180°C. Pincele levemente com óleo uma forma de bolo inglês de 22x11cm, com capacidade para 6 xícaras de massa (1 litro e meio), forre com papel manteiga deixando sobras nos dois lados mais longos, formando “alças” que vão lhe ajudar a remover o bolo depois de assado. Pincele o papel com óleo também.

Em uma tigela média, peneire juntos a farinha de trigo, a farinha de pistache, o fermento e o sal – se a farinha de pistache estiver empedrada (a minha estava um pouco), passe pela peneira apertando com uma espátula de silicone. Reserve.

Em uma tigela grande, junte o açúcar e as raspas de limão siciliano e esfregue com as pontas dos dedos até o açúcar aromatizar. Junte o iogurte, o óleo, os ovos, o suco de limão, Cointreau e a baunilha e misture usando um batedor de arame, até obter uma massa homogênea. Com uma espátula de silicone, incorpore os ingredientes secos – se a massa ficar muito engrumada, misture levemente com o batedor de arame, mas não bata demais para não desenvolver o glúten da farinha.

Despeje a massa na forma preparada e alise a superfície. Salpique o açúcar de maneira uniforme sobre o topo da massa.  

Asse por 50-55 minutos ou até que o bolo cresça e doure (faça o teste do palito). Deixe esfriar na forma sobre uma gradinha por 15 minutos, e então remova com cuidado da forma, usando o papel como guia. Transfira para a gradinha e deixe esfriar completamente.

O bolo pode ser guardado em um recipiente hermético por até 4 dias.

Rend.: 8-10 fatias

quinta-feira, junho 24, 2021

Torta tipo escondidinho de carne, abobrinha e batata

Torta tipo escondidinho de carne, abobrinha e batata


O inverno chegou chegando aqui em São Paulo: dias frios (mesmo quando o sol aparece), manhãs e noites geladas. O vento cortante parece entrar por cada frestinha do apartamento, mesmo com todas as janelas fechadas. Ligo o forno para assar um bolo e dá vontade de ficar por lá mesmo, em pé, na frente do fogão, enquanto sinto os pés trincando mesmo usando meias grossas, esticadas até o meio das canelas.

Meia com chinelo, aquele clássico da elegância invernal, uma das vantagens do home office. :D

Arrumo o cabelo, faço uma maquiagem simples, coloco um brinco legal e me sinto bonita para fazer as reuniões por vídeo, enquanto penso “ainda bem que ninguém me vê da cintura pra baixo”. :D

Estes são os dias para sopas, quase que diárias, e quando as preparo faço logo um panelão para render vários jantares (quem quiser receitas de sopinhas gostosas, é só clicar aqui).

Tenho sempre um pouco de pão no freezer, uma passada pela frigideira ou forno e pronto, pãozinho no jeito pra tchutchar na sopa quentinha.

Além das sopas, uma receita que fiz dias desses e que combinou super bem com o frio foi esta torta, uma espécie de escondidinho em que a cobertura não é feita de purê e sim de batatas em fatias finíssimas: já tinha visto várias versões desta receita em blogs, revistas e livros, mas nunca havia provado.

Improvisei o recheio, pois só tinha 100g de carne moída em casa. Fiz render com abobrinha e cebola, deixando o recheio úmido para que não ressecasse no forno. Ficou uma delícia! Tão simples, tão bom e tão bonito na mesa.

Espero que vocês também gostem – e quem é vegetariano pode trocar a carne por mais abobrinha, ou por berinjela, por exemplo.

 

Torta tipo escondidinho de carne, abobrinha e batata

receita minha, inspirada por dezenas de outras

 

Recheio:

1 colher (sopa) de azeite de oliva

100g de carne moída – gosto de patinho

sal e pimenta do reino moída na hora

½ cebola média, bem picadinha

1 abobrinha grande (300g), em cubinhos de aproximadamente 1,5 cm

1 folha de louro

1 dente de alho grande, em picadinho

2 colheres (chá) de molho inglês

1 colher (sopa) de vinho branco seco

3 colheres (chá) de farinha de trigo

¼ xícara (60ml) de água quente

 

Cobertura:

1 batata média (180g)

1 colher (sopa) de azeite de oliva + um fiozinho extra para regar

sal e pimenta do reino moída na hora

 

Preaqueça o forno a 200°C e pincele com azeite um refratário raso com capacidade para 1 litro – o da foto tem 20cm de diâmetro e 3,5cm de altura.

Comece pelo recheio: aqueça o azeite em uma frigideira antiaderente grande em fogo alto. Junte a carne e doure bem. Tempere com sal e pimenta do reino.

Acrescente a cebola, a abobrinha e o louro, refogue por alguns minutos até os legumes ficarem macios, mexendo algumas vezes. Acrescente o alho e refogue por 1 minuto apenas ou até perfumar – não deixe queimar para que não fique amargo.

Junte o molho inglês e o vinho, cozinhe por 1 minuto, e então polvilhe com a farinha de trigo. Misture bem e cozinhe por mais 1 minuto – importante para que cozinhar a farinha. Acrescente a água, misture bem e assim que o caldo começar a espessar desligue o fogo – o recheio precisa ficar molhadinho mesmo, para que não resseque durante o tempo de forno. Prove o tempero e ajuste com sal e pimenta.

Corte a batata usando uma mandolina para obter fatias bem finas. Transfira para uma tigela pequena, regue com o azeite e tempere com sal e pimenta. Misture bem usando as mãos, para que todas as fatias fiquem bem untadas.

Espalhe o recheio de maneira uniforme no refratário preparado, descartando a folha de louro. Arrume as fatias de batata sobre o recheio, sem sobrepor demais, para que elas possam dourar. Regue com um fio de azeite e leve ao forno por 40 minutos – no dia da foto eu estava atrasada e acabei não conseguindo dourar a cobertura tanto quanto gostaria.

Sirva em seguida.

Rend.: 2 porções

segunda-feira, junho 14, 2021

Lasanha de berinjela com farofinha crocante e louças lindas

Lasanha de berinjela com farofinha crocante


Minha queridas e meus queridos, voltei com um post que é uma receita meio que não-receita. :)

Além dos limões cravos perfumadíssimos, eu também trouxe umas berinjelas pequeninas tão bonitinhas do Instituto Chão! Eu sou aquela pessoa que pira em feiras e supermercados, vocês sabem.

Duas das berinjelas viraram barquinhas que servi com arroz e salada verde – saibam que eu fico feliz demais sabendo que muitos de vocês também adoram aquela receita! Já as outras duas, fiquei na dúvida sobre o que fazer com elas... Criatividade zero, vamos logo de lasanha de berinjela e pronto. :)

Grelhei as fatias de berinjela na frigideira, sem azeite, sem nada, até que elas ficassem macias e bem douradas. Ao tirar da frigideira, salpiquei com sal e pimenta do reino moída na hora. Fiz o meu molho de tomate de sempre (receita aqui) e então montei camadas de molho, berinjela e mozarela ralada.

Peguei emprestada da linda Alison Roman a ideia de cobrir a lasanha de berinjela com uma farofinha crocante e ficou tão deliciosa! Minha farofinha é um pouco mais “enfeitada” do que a da Alison (a dela é feita só com azeite e panko): juntei em uma frigideira antiaderente média 1 ½ colheres (sopa) de azeite e 1 dente de alho amassado, mas ainda inteiro. Quando o alho perfumou, adicionei 3 colheres (sopa) de farinha de rosca caseira e dourei bem no azeite. Desliguei o fogo, retirei o alho, temperei com sal e pimenta do reino e adicionei folhinhas de tomilho. Espalhei sobre a lasanha, cobri com uma camadinha de parmesão ralado fininho e levei ao forno por uns 25 minutos – almoço pronto.

Apesar de o almoço ter sido simples, preparei a berinjela neste prato maravilhoso da minha amiga Cris, da Pina Cerâmicas. A Cris está com um ateliê novo lindíssimo, além de ter também a loja virtual. Comprei umas peças incríveis dias atrás e não vejo a hora de recebê-las em casa!

Espero que gostem da minha receita-não-receita. E que a vacina venha logo para todos nós! #vivaosus

sexta-feira, maio 28, 2021

Bolo de limão cravo para o final de semana

English version

Bolo de limão cravo


Depois de várias receitas salgadas e um apanhado de receitas já postadas, volto com uma receitinha nova de bolo.

Quem recebeu a minha cartinha dias atrás sabe que, semana passada, eu quis fazer um bolo de limão, mas quando abri a geladeira não havia mais nenhum – meu plano B foi um bolo de laranja (esta receita aqui, que já fiz diversas vezes, e que muitos de vocês também já fizeram!).

Quando o bolo de laranja acabou, fiz outro bolo e desta vez usei os limões cravo maravilhosos que comprei o Instituto Chão. Usei uma receita de bolo de amêndoa e semente de papoula da Claire Saffitz como base e o bolo ficou muito macio, úmido e super perfumado – realmente delicioso!

A receita é fácil e os ingredientes são bem básicos, e vocês podem usar limão taiti ou siciliano se não encontrarem limão cravo. Espero que provem e depois me contem o resultado.

 

Bolo de limão cravo

adaptado do bolo de amêndoae sementes de papoula da Claire Saffitz

 

Bolo:

1 xícara (200g) de açúcar cristal ou refinado

raspas da casca de 2 limões cravo (cada um tinha cerca de 60g)

1 ½ xícaras (210g) de farinha de trigo

¾ colher (chá) de fermento em pó

¼ colher (chá) de sal

¾ xícara (180ml) de leite integral, temperatura ambiente

2/3 xícara (160ml) de óleo vegetal de sabor neutro – usei canola

1 ovo grande, temperatura ambiente

1 gema, temperatura ambiente

½ colher (chá) de extrato de baunilha

1 ½ colheres (sopa) de suco de limão cravo

1 colher (sopa) de Cointreau (se preferir, pode omitir)

 

Glacê:

1/3 xícara (46g) de açúcar de confeiteiro

½ colher (sopa) – 7g – de manteiga sem sal, derretida e fria

3 colheres (chá) de suco de limão cravo

 

Preaqueça o forno a 180°C. Unte com óleo uma assadeira de bolo inglês de 22x11cm, com capacidade para 6 xícaras de massa. Forre com papel manteiga deixando sobras nos dois lados mais longos, formando “alças” que vão lhe ajudar a remover o bolo depois de assado. Pincele o papel com óleo também.

Na tigela da batedeira, junte o açúcar e as raspas de limão e esfregue com as pontas dos dedos até o açúcar ficar aromatizado. Acrescente a farinha, o fermento, o sal e misture com um batedor de arame. Reserve.

Em uma tigela média, misture bem com um batedor de arame o leite, o óleo, o ovo, a gema, o extrato de baunilha, o suco de limão e o Cointreau. Despeje sobre os ingredientes secos reservados e então bata em velocidade média-alta por 1 minuto ou até que a massa fique bem lisa.

Transfira para a forma preparada e leve ao forno por aproximadamente 80 minutos, ou até que cresça e doure bem (faça o teste do palito).

Deixe esfriar na forma sobre uma gradinha por 15 minutos, e então remova com cuidado da forma, usando o papel como guia – enquanto isso, prepare o glacê: peneire o açúcar de confeiteiro em uma tigela e junte os ingredientes restantes, misturando até obter um creme liso e espesso (junte mais suco de limão se necessário).

Depois que remover o bolo da forma e transferir para a gradinha, desgrude o papel das laterais do bolo. Usando um palito de dente, faça furinhos sobre toda a superfície e também nas laterais do bolo. Em seguida, pincele o glacê no topo e nas laterais do bolo, aos poucos, até que todo o glacê seja absorvido. Deixe esfriar antes de servir.

O bolo pode ser guardado em um recipiente hermético por até 3 dias em temperatura ambiente.

 

Rend.: 8-10 fatias

segunda-feira, maio 17, 2021

Um post desabafo e comidas que são um carinho

Arroz doce com morangos assados


Minhas queridas e meus queridos, como vocês estão?

Outro dia, conversando com uma amiga, falei para ela que algumas vezes por semana tenho tentado (ênfase em “tentar”) não ler/ver notícias sobre a atual situação do Brasil: ler jornal, ver TV, é tudo tão sufocante, tão desesperador, que não há endorfina conseguida nos exercícios físicos que dê jeito.

Há dias em que me fecho na bolha do amor: vejo vídeos do Pingo pequenino que tenho guardado no Google Fotos, assisto a vídeos de receita no YouTube (meus favoritos são Alison Roman, Donna Hay, Jamie Oliver), ouço música. São os dias em que durmo melhor, menos ansiosa, tenho menos pesadelos (outra constante durante a pandemia).

Não posso viver na bolha do amor sempre, pois não quero me tornar uma pessoa alienada que não sabe o que se passa no país, mas algumas horas de descanso sem ouvir falar no Saco de Bosta, seus filhos, mortes, falta de vacina, gado pastando pelas ruas pedindo fechamento de Congresso e STF tem me feito bem. No dia seguinte começa tudo de novo, festival de notícias horríveis, mas pelo menos acordo mais descansada e com mais ânimo para encarar a rotina.

Há dias em que, além da bolha do amor, busco refúgio na cozinha, fazendo receitas que me dão alegria, que me trazem paz e um quentinho no coração – é uma vontade de ser abraçada por dentro. Às vezes faço waffles para acompanhar um seriadinho no sofá. Bolinho de arroz também me conforta, é comida de mãe e avó (e ainda reaproveito as sobrinhas de arroz). Um bolo de limão com uma xícara de chá quentinho torna a tarde mais gostosa, e me sinto até mais produtiva depois de tomar um café da tarde assim.

Mas a minha comfort food favorita é arroz doce: para mim, é aconchego, é carinho de mãe, é afago. Faço esta receita aqui, mas trocando a água por leite (sem lactose, no meu caso).

Como agora comecei a ver morango nos supermercados, os faço assados e sirvo com o arroz doce – é uma combinação perfeita.

Se quiser deixar os morangos assados ainda mais gostosos, é só acrescentar raspas de limão (taiti, cravo, siciliano) e ½ colher (sopa) do suco dele aos morangos e açúcar antes de assar – a leve acidez adicionada aos morangos combina demais com o arroz doce.

Espero que vocês encontrem algo que os confortem em tempos tão sombrios: seja um vídeo, uma música, uma atividade física, uma comidinha. xx

quinta-feira, abril 29, 2021

Rolinhos de peixe com batatas e tomates assados


Rolinhos de peixe com batatas e tomates assados


Tenho um caderninho e uma caneta que estão sempre em minha cozinha, e com eles anoto as receitas que crio ou as alterações nas receitas de outras fontes que adapto – procuro ser bem detalhista na hora para não esquecer de anotar nenhum detalhe sequer, e também tento não fazer um garrancho, para depois entender o que escrevi, quando me sento ao computador para digitar a receita (atenção para a palavra “tento”). Se eu estiver com as mãos molhadas, por exemplo, dou um grito no João e ele vem anotar alguma coisa pra mim.

Há vezes em que escrevo muito rápido, daí a letra vira um emaranhado tão grande que eu lendo depois fico parecendo aquele meme da Nazaré fazendo contas.

E há também as vezes em que cozinho e não anoto nada, porque “ah, não vou postar essa receita mesmo”, mas a comida fica bonita e o faniquito de fotografar toma conta de mim.

A receita de hoje, por exemplo, foi assim: não ia postar, achei que os peixinhos ficaram lindos, a luz estava boa, tirei a foto como quem não quer nada, daí almoçamos e a comida estava uma delícia, apesar de super simples. Não anotei as quantidades dos ingredientes, mas como é uma receita que dá pra adaptar dependendo da quantas pessoas serão servidas, resolvi postar mesmo assim – aumente ou diminua as batatas, os tomates e os filés de peixe conforme a o número de bocas a serem alimentadas.

Agora é torcer para vocês continuarem voltando aqui depois de mais uma receita freestyle, depois da salada e dos ovos. :)


Rolinhos de peixe com batatas e tomates assados

receita minha, forma de enrolar o peixe inspirada nas rosetas da Rita Lobo

 

Tempere filés de pescada com sal, pimenta do reino moída na hora, suco de limão e alho amassado no pilão ou bem picadinho. Deixe curtir por 1 ou 2 horas na geladeira.

Preaqueça o forno a 200°C.

Transfira um punhado de batatas bolinha para uma panela com água e 1 pitada de sal. Acrescente um dente de alho e 1 folha de louro e leve ao fogo alto. Quando começar a ferver, conte 5 minutos. Em seguida, escorra bem. Descarte o louro e transfira as batatas e o alho para uma assadeira grande e rasa pincelada com azeite – eu preferi cortar as batatas ao meio para assar mais rápido, mas as pontas dos meus dedos não ficaram muito felizes com isso. :)

Junte um punhado de tomates cereja inteiros, alguns raminhos de tomilho, regue tudo com azeite e tempere com sal e pimenta do reino. Leve ao forno por 20 minutos.

Enquanto isso, enrole cada filé de peixe com 1 folha de sálvia no meio e prenda com palitos de dente – os peixes ficarão parecidos com uma flor.

Retire a assadeira do forno, arrume os peixes sobre os legumes e regue com 1 fio de azeite. Volte ao forno por 10-15 minutos (dependendo do tamanho dos seus files) ou até que o peixe esteja assado.

Sirva imediatamente.

Rend.: aqui serviram 2 pessoas, pois amamos peixe e meu marido é esganado :)

terça-feira, abril 20, 2021

Ovos ao forno para o ano 2 da pandemia

Ovos ao forno para o ano 2 da pandemia


Minhas queridas e meus queridos, como vocês estão neste ano 2 de pandemia?

Continuo trabalhando de casa, saindo apenas para fazer supermercado a cada 10 ou 15 dias, e confesso que o que mais me faz falta é ter o Pingo pertinho de mim.

Antes da situação deplorável atual, em que não há sequer medicamentos nos hospitais para as pessoas que precisam de cuidados intensivos, conseguíamos nos ver ao ar livre, em um parque, aos finais de semana, com distanciamento e máscaras, mas agora nem isso. Sinto uma tristeza profunda por perder esse tempo precioso da vidinha dele.

Falando ainda em pandemia, algo que percebi ultimamente foi que, para mim, dias úteis tem sido um pouco mais “fáceis” de encarar: fui uma criança metódica e continuo assim na vida adulta, portanto dias estruturados, com horários definidos, funcionam melhor para mim.

De segunda a sexta, tenho meu horário para levantar, tomar café, me arrumar, trabalhar, almoçar, me exercitar, jantar, ver seriadinhos e filmes, dormir – parece algo mecânico e, de fato, é mesmo, e por isso são os dias em que me sinto mais produtiva e menos letárgica. Aos finais de semana, em que não há nada para fazer além de limpar o apartamento e ver TV, me sinto meio perdida – às vezes não dá nem vontade de ver um filme ou seriado, algo que amo e vocês sabem.

Por outro lado, a falta de vontade de cozinhar parece ter dado uma trégua, e vez ou outra preparo uma receita nova para o final de semana, ou um bolo gostoso para o café da tarde.

Em épocas difíceis assim, comemoro as pequenas vitórias – se em um dia me falta energia para ver um dos filmes do Oscar (tô morrendo de preguiça de ver “Mank”, apesar do meu amor profundo por Gary Oldman e David Fincher), em outro tem uma receita com foto caprichada. Se em uma noite vejo, pela primeira vez na vida, “Cidadão Kane” (adorei o filme, aliás), no dia seguinte o almoço é patê de atum. E assim sigo, é o que tem pra hoje. Creio que o grande desafio durante a pandemia tem sido tentar encontrar o equilíbrio entre não me cobrar demais e não deixar a peteca cair completamente.

Em um dia corrido, mas em que eu estava com muita vontade de fotografar – há dias em que sinto uma vontade gigante de fotografar, mas zero vontade de cozinhar e/ou comer – fiz os ovos ao forno da foto para almoçar e ficaram bem gostosos. Usei o que havia na geladeira, sobrinhas disso ou daquilo, e é claro que você pode usar o que tiver em casa. É uma espécie de ovos em cocote, feitos no forno porque não tenho microondas.

Não tem receita exata: arrumei folhas de espinafre ainda cru e um pouco de salaminho apimentado em uma panelinha (eu sou a neta de alemã que não gosta de carne de porco, mas ama bacon e salaminho) - use o refratário que preferir, escolhi esse para deixar a foto bonita, confesso! :) Quebrei os ovos por cima dos ingredientes, temperei com sal e pimenta do reino moída na hora. Levei ao forno preaquecido a 180°C por alguns minutos, e antes de servir salpiquei com algumas lascas de parmesão. Servi com pão.

Que vocês estejam bem e com saúde. Mando um beijo grande e desejo força para atravessarmos os momentos tão difíceis. 

quinta-feira, abril 08, 2021

Abobrinha à parmegiana

Abobrinha à parmigiana


Já lhes contei diversas vezes que aqui em casa é muito raro fazer fritura: além de não ser saudável abusar de comidas fritas por imersão, o apartamento é pequeno, o cheiro fica por toda a parte, nas cortinas, nas roupas, nos estofados, no meu cabelo... Depois disso, ainda tem o óleo que precisa ser reciclado, e em épocas de compras feitas a cada quinze dias e da maneira mais rápida possível não quero perder tempo com isso. 

Entretanto, muito de vez em quando, abro exceções, geralmente para fazer o filé de peite frito que minha mãe preparava e que eu amava tanto. Uma das outras exceções é para a abobrinha à parmegiana que lhes trago hoje: geralmente faço a receita com berinjela (adoro), mas quis mudar um pouco e troquei o vegetal. Funcionou muito bem e a receita ficou deliciosa! Aqui nos rendeu dois almoços bem servidos e eu acho ótimo, porque ajudou demais com a preguiça de cozinhar que às vezes aparece.

A abobrinha apenas empanada e frita já é uma delícia, geralmente tenho que expulsar o João da cozinha, senão ele come tudo antes mesmo de eu montar o restante do prato e colocar no forno. :)

 

Abobrinha à parmegiana

receita minha

 

Molho de tomate:

1 ½ colheres (sopa) de azeite de oliva

1 cebola média bem picadinha

2 dentes de alho grandes, amassados e picadinhos

1 vidro de passata

½ xícara (120ml) de água (coloque dentro do vidro vazio de passata, tampe e agite, para usar todo o restinho que estiver no vidro)

sal e pimenta do reino moída na hora

2 colheres (chá) de açúcar

2 folhas de louro

1 punhado de folhas de manjericão fresco, rasgadas com as mãos

 

Restante da receita:

3 abobrinhas médias (aproximadamente 100g cada1 xícara de farinha de trigo

2 ovos, ligeiramente batidos com um garfo

1 ¼ xícaras de farinha de rosca ou farelo de pão

sal e pimenta do reino moída na hora

óleo vegetal para fritar

250g de mozarela de búfala em rodelas ou fatias

¼ xícara de pecorino ralado fininho – rale, depois meça; se preferir, use parmesão

Comece preparando o molho de tomate: em uma panela média, aqueça o azeite em fogo médio-alto. Junte a cebola e refogue até que esteja transparente. Junte o alho e refogue por mais 1-2 minutos – não deixe queimar, para não amargar. Acrescente a passata, a água, tempere com sal e pimenta e junte o açúcar, seguido do louro. Cozinhe, mexendo ocasionalmente, por cerca de 15 minutos ou até que o molho fique mais espesso. Desligue o fogo e misture o manjericão.

Enquanto o molho cozinha, prepare as abobrinhas: pré-aqueça o forno a 200°C.

Coloque a farinha de trigo em um prato, os ovos em outro, e a farinha de rosca em um terceiro. Tempere as farinhas e os ovos com uma pitada de sal e outra de pimenta do reino.

Corte as abobrinhas ao meio no sentido da largura, e então em fatias de aproximadamente 0,5cm no sentido do comprimento (fatias muito longas ficam difíceis de virar no óleo sem quebrar). Tempere as fatias com uma pitada de sal e outra de pimenta, e então passe cada uma delas pela farinha de trigo, envolvendo por todos os lados e retirando o excesso. Em seguida, passe-as pelos ovos, e depois pela farinha de rosca, envolvendo bem e novamente retirando o excesso.

Frite as fatias em óleo quente (180°C) até que dourem de ambos os lados. Retire do óleo e transfira para um prato forrado com papel toalha, para remover o excesso de gordura.

Ao terminar de fritar todas as abobrinhas, comece a montagem do prato: espalhe um pouco do molho em um refratário grande – o da foto tem 29x20cm. Faça uma camada com metade da abobrinha, cubra com metade do molho e em seguida, com metade da mozarela. Repita o processo com os ingredientes restantes. Polvilhe com o pecorino e leve ao forno por cerca de 30 minutos.

Rend.: 4-5 porções

 

quinta-feira, abril 01, 2021

Salada de vagem, tomate, feta e feijão branco - um colorido necessário nos dias atuais

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Salada de vagem, tomate, feta e feijão branco


Só porque resolvi postar salada o calorão deu uma trégua aqui em São Paulo – o outono parece ter decidido dar as caras... :)

Geralmente faço saladas assim para o jantar, me sinto mais leve comendo desta forma, especialmente nos últimos tempos, em que a fome nem sempre aparece, mesmo depois de fazer exercícios físicos : salada fresquinha desce mais fácil do que arroz e feijão. A de hoje levei muitas vezes de marmita para o trabalho, em dias agora distantes – levava uma fatia de pão sírio torrado às vezes para acompanhar, em outras colocava um ovo cozido na salada também.

Nem é bem uma receita: dei um sustinho na vagem usando frigideira antiaderente quente, um fio de azeite e um dente de alho cortado do meio – fica muito mais gostosa assim do que simplesmente cozida na água com sal. Juntei tomates cereja cortados ao meio, queijo feta em cubinhos e feijão branco (enlatado mesmo). O alho não coloco na salada, não, porque acho indigesto.

O molho veio depois da foto: azeite, suco de limão, mostarda de Dijon, sal e pimenta do reino moída na hora – bem simples, tudo misturado em um vidro de geleia vazio, como aprendi com o Jamie Oliver séculos atrás.

Comida rápida, bonita, colorida – tudo o que a gente mais precisa agora, já que além da maldita pandemia também sofremos o risco de um golpe. Ser brasileiro e tentar cuidar da saúde, tanto física quanto mental, é um exercício hercúleo todo santo dia.

Cuidem-se e cuidem dos seus. 

terça-feira, março 23, 2021

Macarrão com molho de tomate e bacon

Macarrão com molho de tomate e bacon

Aqui em casa sempre adoramos macarrão, e nas épocas em que o Pingo ficava aqui conosco aos sábados o bolonhesa era quase que obrigatório: em uma das vezes fiz arroz, almôndegas e batata “frita” de forno, ele reclamou que queria macarrão. :)

Nesta quarentena o macarrão se tornou um herói: nos dias quem estou com muita pressa é nele que me apoio para um almoço rápido. Os molhos não são muito elaborados quando estou na correria, mas de vez em quando dá pra caprichar um pouquinho mais. Sempre tenho bacon no freezer – nos meus seis anos como vegetariana em um passado longínquo, bacon foi realmente a única coisa de que senti falta – e botei pra jogo fazendo um molho inspirado no clássico macarrão alla matriciana. Já aviso que é a minha versão, para que nenhum descendente de italianos venha aqui com o dedo em riste. :D

Sobrou um pouquinho do molho e para o jantar espalhei em fatias de pão, cobri com queijo e levei ao forno até o pão tostar e o queijo derreter – incrivelmente simples e delicioso.

 

Macarrão com molho de tomate e bacon

receita minha

 

- xícara medidora de 240ml

 

200g de macarrão, massa longa da sua preferência – usei fettuccine

Molho:

4 fatias de bacon

½ cebola grande bem picadinha

2 dentes de alho bem picadinhos

1/3 xícara (80ml) de vinho tinto seco

1 lata de (400g) de tomates pelados picados

1 folha de louro

2 colheres (chá) de açúcar

sal e pimenta do reino moída na hora

2 colheres (sopa) de folhas de orégano fresco – aperte as folhas na colher na hora de medir; use manjericão se não encontrar orégano

parmesão ralado fininho para servir

Em uma panela grande, aqueça água até ferver. Acrescente sal. Quando ferver, adicione o macarrão e cozinhe pelo tempo indicado na embalagem – enquanto a água ferve e o macarrão cozinha, prepare o molho.

Aqueça uma panela média em fogo alto. Acrescente o bacon e frite até ficar crocante. Retire da panela com uma escumadeira e transfira para um prato. Reserve.

Na gordura do bacon, refogue a cebola, mexendo ocasionalmente até que fique macia e transparente. Junte o alho e refogue por 1 minuto – não deixe queimar para não amargar.

Acrescente o vinho e cozinhe por 1 minuto. Junte o tomate, o louro, o açúcar e misture, tempere com sal e pimenta do reino (cuidado com o sal, pois o bacon já é salgadinho). Acrescente ½ lata de água (use a lata do tomate para medir), misture e cozinhe por aproximadamente 15 minutos, mexendo algumas vezes para não grudar no fundo da panela – o molho vai ficar encorpado.

Retire do fogo, junte as folhas de orégano e misture bem. Incorpore o bacon reservado.

Escorra o macarrão, reservando ¼ xícara (60ml) da água do cozimento. Transfira o macarrão escorrido para a panela com o molho e cozinhe por 1 minuto, misturando bem – se o molho estiver seco demais, junte a água reservada, aos poucos. Sirva imediatamente polvilhado com queijo ralado.

Rend.: 2 porções, com uma sobrinha (daria para 3 porções de 80g de macarrão cada)

terça-feira, março 09, 2021

Bolo formigueiro de iogurte, amêndoa e limão e um dia atípico

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Bolo formigueiro de iogurte, amêndoa e limão


Depois de meses sem fazer um bolinho para o café, senti uma vontade enorme preparar uma receita nova, bem gostosa, para alegrar a tarde chuvosa de sexta-feira.

Em um dia atípico, acordei com uma disposição que havia muito tempo não sentia: levantei cedinho, liguei o forno, bati a massa do bolo e, enquanto ele assava e perfumava minha casa, escrevi uma newsletter nova com bastante carinho (se você quiser receber as minhas cartinhas, clique aqui e se inscreva). Eram pouco mais de seis da manhã e a luz entrando pela varanda me dava energia.

Enquanto escolhia as receitas a serem enviadas e preparava o texto, um bem-estar tomou conta de mim e foi como um bálsamo: não me lembrava mais de quando havia me sentido daquele jeito pela última vez, especialmente quando o assunto envolvia comida, receitas. A sensação era tão gostosa que, se eu pudesse, a teria guardado em um potinho.

Ao tirar o bolo do forno, tão lindo e dourado, torci para que ficasse gostoso, não somente para o nosso café da tarde, mas também para dividir com vocês a receita. Desenformei o bolo e deixei esfriando na bancada. Horas depois, cortei uma fatia e provei: estava realmente delicioso. Minha cabeça, que anda tão cansada, imediatamente já começou a pensar na foto, em qual tecidinho eu usaria, quais cores combinariam mais com o bolo. Abri meu armário de louças e fui bolando o que me agradaria mais. Preparei tudo, tirei as fotos, e novamente aquela sensação gostosa voltou. Se eu pudesse, transformaria aquela sensação em uma vela perfumada.

De coração quentinho, com bolo gostoso para o café e um dia bastante produtivo, por um momento me senti como a Patricia de outras épocas. Espero que ela apareça por aqui vez ou outra – eu estava com saudade.


Bolo formigueiro de iogurte, amêndoa e limão

um nadinha adaptado do Epicurious, de novo!


 - xícara medidora de 240ml

 

180g de farinha de trigo

45g de farinha de amêndoa – use a farinha de oleaginosa que preferir

2 colheres (chá) de fermento em pó

¼ colher (chá) de sal

1 xícara (200g) de açúcar, cristal ou refinado

raspas da casca de 2 limões taitis grandes

¾ xícara (180g) de iogurte natural integral

½ xícara (120ml) de óleo vegetal – usei de canola

2 ovos grandes, temperatura ambiente

1 colher (sopa) de Amaretto – opcional

1 colher (sopa) de suco de limão

½ colher (chá) extrato de baunilha

3 colheres (sopa) de chocolate granulado

Preaqueça o forno a 180°C. Pincele levemente com óleo uma forma de bolo inglês com capacidade para 6 xícaras de massa (1 litro e meio), forre com papel manteiga deixando sobras nos dois lados mais longos, formando “alças” que vão lhe ajudar a remover o bolo depois de assado. Pincele o papel com óleo também.

Em uma tigela média, misture com um batedor de arame a farinha de trigo, a farinha de amêndoa, o fermento e o sal. Reserve.

Em uma tigela grande, junte o açúcar e as raspas dos limões e esfregue com as pontas dos dedos até que o açúcar fique aromatizado. Junte o iogurte, o óleo, os ovos, o Amaretto (se usar), o suco de limão e a baunilha e misture usando um batedor de arame, até obter uma massa homogênea. Com uma espátula de silicone, incorpore os ingredientes secos, deixando 1 colher (sopa) deles reservada para envolver o granulado – se a massa ficar muito engrumada, misture levemente com o batedor de arame, mas não bata demais para não desenvolver o glúten da farinha. Acrescente o granulado aos ingredientes secos reservados, misture bem para envolvê-los, e então junte tudo à massa e misture.

Despeje a massa na forma preparada e alise a superfície. Asse por 50-55 minutos ou até que o bolo cresça e doure (faça o teste do palito). Deixe esfriar na forma sobre uma gradinha por 15 minutos, e então remova com cuidado da forma, usando o papel como guia. Transfira para a gradinha e deixe esfriar completamente.

O bolo pode ser guardado em um recipiente hermético por até 3 dias.

Rend.: 8 porções

quarta-feira, fevereiro 24, 2021

Mingau de aveia - comida que abraça a gente por dentro

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Mingau de aveia


Tenho um caderninho em que anoto ideias de pratos que quero testar e nele também anoto as receitas que preparo, para depois postar aqui. O coitado do caderno anda meio abandonado – há tempos não preparo nada de novo –, entretanto o mantenho na mesinha da sala, onde deixo também meu tablet e o carregador do celular, para quem sabe, qualquer hora, bater o olho nele e sentir vontade de escrever algo. 

Assim sigo, alguns dias parecendo ser mais lentos do que outros, uns dias com mais energia, outros com menos, mas todos eles meio iguais, aquela coisa bem “Feitiço do Tempo” mesmo. Pelo menos no trabalho vai tudo bem, desde setembro trabalhando com uma nova chefe que é uma pessoa bonita por dentro e por fora, e isso me dá fôlego para enfrentar esse eterno Dia da Marmota.

Quero vacina, mas não tem, quero um governo melhor para o nosso país, também não tem. Quero levantar da cama sem me sentir em um episódio de “O Conto da Aia” – opa, isso também não tem.

As comidas aqui em casa andam meio monótonas: tudo muito básico, de preferência rápido e que não suje muita louça. O macarrão com molho de tomate cereja e azeitona é um hit aqui e aparece toda semana: já fiz várias modificações na receita, como trocar manjericão por salsinha picada, usar tomate amarelo em vez do vermelho, completar com azeitona verde quando as pretas estavam no fim. Gosto muito de juntar cubinhos de feta à receita, e com gorgonzola também fica incrível – para quem gosta de “queijos fedidos”, como diz o João. :)

Muitas noites não sinto muita vontade de jantar, mesmo tendo feito atividade física, o que geralmente me dá mais apetite. Para não ir para a cama de estômago vazio, faço um mingau de aveia muito gostoso e facílimo – mingau é comida que abraça a gente por dentro, né? Eu amo. Polvilho com chia, chips de coco ou castanha de caju e sirvo com uma porção de fruta. Não é um jantar tradicional, mas me conforta e me deixa de buchinho cheio.

 

Mingau de aveia

receita minha

 

¼ xícara (25g) de aveia em flocos

½ xícara (120ml) de leite de vaca ou vegetal – gosto de usar o de castanha de caju

¼ xícara (60ml) de água fria

1 pitada de sal

açúcar a gosto – use mel ou agave se preferir

1 pitada de canela ou 1 colher (chá) de cacau em pó, sem adição de açúcar

Junte todos os ingredientes em uma panelinha e leve ao fogo médio, mexendo algumas vezes para dissolver o açúcar. Quando começar a ferver, baixe o fogo e vá mexendo até que a mistura comece a engrossar. Cozinhe por 2-3 minutos ou até que fique com a consistência desejada.

Transfira para uma tigelinha e sirva.

Rend.: 1 porção

quarta-feira, janeiro 27, 2021

Macarrão com molho cremoso de tomate e espinafre e sim, continuo exausta

Macarrão com molho cremoso de tomate e espinafre

Quem está cansado de cozinhar levanta a mão. 0/

Há dias em que eu tenho vontade de ficar à base de frutas, só pra não ter que fazer nada – não fosse o João fazer questão de comer arroz, feijão & cia., eu passaria dias a fio só na base de saladinha, vitamina de frutas, omelete.

O calor absurdo que está fazendo aqui em São Paulo também não ajuda. Tive que ligar o forno para fazer o pão integral para a semana e o apartamento virou uma sauna. Não dá coragem de fazer quase nada. Hoje, mais cedo, estava 32°C – eu não tenho ar condicionado em casa, fico derretendo o dia inteiro, aquela sensação de pescoço suado que a gente odeia.

A preguiça somada à falta de vontade ir ao mercado e ter que ficar descorongando tudo depois está me fazendo trazer poucas coisas a cada compra – isso sem contar a inflação e como andam os preços. A gente coloca meia dúzia de coisas no carrinho e já dá R$ 150,00. Quem aí como eu foi criança nos anos 80 está tendo sensação de déjà vu todo santo dia.

Para um almoço de domingo em que havia zero inspiração, geladeira meio caída e preguiça gigante, bolei esse macarrãozinho meio no susto – bati o olho no que tinha em casa e juntei o que achava que combinava e o que estava para estragar. Tenho feito isso durante a pandemia e às vezes saem comidinhas muito gostosas como a receita de hoje – por isso, divido com vocês.

 

Macarrão com molho cremoso de tomate e espinafre

receita minha

 

- xícara medidora de 240ml

 

200g de espaguete

1 ½ colheres (sopa) de azeite de oliva

1 alho-poró (120g já sem as folhas verdes-escuras), somente a parte verde mais clara, em meias-luas finas

1 dente de alho grande, bem picadinho

2 tomates italianos maduros (230g, aproximadamente), sem as sementes, picadinhos – eu morro de preguiça e dificilmente tiro a pele de tomates

sal e pimenta do reino moída na hora

2 colheres (sopa) de vinho branco seco

2 colheres (sopa) de água

2 bolinhas de espinafre congelado, já descongelado

¼ xícara (60ml) de creme de leite fresco

parmesão ou pecorino ralados, para servir

Em uma panela grande, aqueça água até ferver. Acrescente sal. Quando ferver, adicione o macarrão e cozinhe pelo tempo indicado na embalagem.

Enquanto a água ferve e o macarrão cozinha, prepare o molho: aqueça o azeite em uma frigideira antiaderente grande em fogo médio-alto. Junte o alho-poró e refogue, mexendo às vezes, até que fique macio. Acrescente o alho e refogue por 1 minutinho apenas – não deixe o alho queimar para não ficar com sabor amargo. Junte os tomates, tempere com sal e pimenta, e vá refogando, mexendo ocasionalmente, por cerca de 5 minutos ou até que os tomates soltem seus líquidos e um molhinho comece a se formar. Acrescente o vinho, misture bem, e cozinhe até o vinho evaporar. Junte a água e o espinafre, misture bem, e cozinhe por mais 3-4 minutos, ou até espinafre aquecer. Acrescente o creme de leite, misture bem, acerte o sal e a pimenta do reino.

Escorra o macarrão, reservando ¼ xícara (60ml) da água do cozimento. Transfira o macarrão escorrido para a panela com o molho e misture bem – se o molho estiver seco demais, junte a água reservada, aos poucos (eu não precisei usar). Sirva imediatamente polvilhado com parmesão ou pecorino.

Rend.: 2 porções

quarta-feira, janeiro 06, 2021

Bolo cítrico com fubá e canela para começar o ano

Bolo cítrico com fubá e canela

Feliz Ano Novo, pessoal!

Torço para que 2021 seja mais generoso conosco do que 2020 foi. Nós, brasileiros, carregamos tantos outros fardos além da pandemia, não? A cada dia que passa é mais difícil viver neste país. Muitas vezes me sinto em uma realidade paralela, coisa de episódio de “Além da Imaginação”.

Começo o ano com post rápido e amargo – me desculpem, por favor. Trago um bolo docinho e gostoso para compensar.

Um beijo e obrigada pela companhia – espero continuar a vê-los por aqui durante o ano que se inicia. xx

Bolo cítrico com fubá e canela


Bolo cítrico com fubá e canela

adaptado deste sempre ótimo site

- xícara medidora de 240ml

 

Bolo:

1 1/3 xícara (185g) de farinha de trigo

½ xícara (70g) de fubá

1 ½ colheres (chá) de fermento em pó

¾ colher (chá) de sal

¼ colher (chá) de canela em pó

1 xícara (200g) de açúcar, cristal ou refinado

raspas da casca de 1 laranja grande

200g de manteiga sem sal, amolecida

1 colher (chá) de extrato de baunilha

1 colher (sopa) de Cointreau (opcional)

4 ovos grandes, temperatura ambiente

1/3 xícara (80ml) de suco de laranja, temperatura ambiente

2 colheres (sopa) de suco de limão taiti ou siciliano, temperatura ambiente

 

Para finalizar o bolo:

1 colher (sopa) de suco de laranja

1 colher (sopa) de açúcar cristal ou refinado

¼ colher (chá) de canela


Preaqueça o forno a 180°C. Pincele levemente com manteiga uma forma de bolo inglês com capacidade para 6 xícaras de massa (1 litro e meio), forre com papel manteiga deixando sobras nos dois lados mais longos, formando “alças” que vão lhe ajudar a remover o bolo depois de assado. Pincele o papel com manteiga também.Em uma tigela média, peneire juntos a farinha, o fubá, o fermento, o sal e a canela. Reserve.

Na tigela da batedeira, junte o açúcar e as raspas de laranja e esfregue com as pontas dos dedos até o açúcar ficar aromatizado. Junte a manteiga, a baunilha, o Cointreau (se usar) e bata até obter um creme claro e fofo – raspe as laterais da tigela algumas vezes durante todo o preparo da receita. Acrescente os ovos, um a um, batendo bem a cada adição.

Misture em um potinho os sucos de laranja e limão.

Acrescente os ingredientes secos em três adições, alternando com os sucos em duas adições – comece e termine com os ingredientes secos. Não bata demais, para não deixar o bolo duro.

Raspe bem o fundo e as laterais da tigela para que todos os ingredientes fiquem incorporados e a massa fique homogênea. Despeje na forma e alise a superfície.
Leve ao forno por cerca de 1 hora, ou até crescer e dourar (faça o teste do palito). Transfira a forma para uma gradinha e deixe esfriar na forma por 15 minutos, e então remova com cuidado da forma, usando o papel como guia. Transfira para a gradinha, pincele o topo do bolo com o suco de laranja. Junte o açúcar e a canela, misture bem, e polvilhe sobre o bolo. Deixe esfriar completamente.

O bolo pode ser guardado em um recipiente hermético em temperatura ambiente por até 3 dias.

Rend: 8-9 fatias

 

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