quinta-feira, agosto 25, 2022

Sopa de abobrinha e batata assadas - receita para preguiçosos (eu mesma) - POST ATUALIZADO


Sopa de abobrinha e batata assadas


Ando em um ritmo de trabalho tão insano nas últimas semanas que nem acreditei quando tive um tempinho pra fazer uma receita nova: os finais de semana tem sido de uma preguiça gigante, tão grande quanto o meu volume de trabalho. Tenho me dedicado também à finalização do ebook (tá quase pronto para enviar às minhas leitoras beta, não vejo a hora), mas a coluna de uma mulher de 43 anos sedentária há vários meses não colabora muito, né? Tem horas que fico descadeirada e, mesmo com vontade de editar mais fotos e escrever mais um pouquinho, preciso dar aquela deitadinha básica com os pés pra cima, logo depois de tomar um Dorflex.

(Enquanto escrevo isso, penso na promessa que fiz a mim mesma de voltar a me exercitar o quanto antes).

Portanto, post curtinho hoje acompanhado de uma receita MUITO preguiçosa: uma sopa que resolvi fazer quando abri o gavetão de legumes e separei duas abobrinhas para refogar para o almoço. Lembrei das batatas na bancada e, como estava frio demais, ligar o forno ia deixar o apartamento mais quentinho: joguei tudo em uma assadeira, reguei com azeite, temperei e assei. Depois foi só bater com o mixer e pronto.

Eu dificilmente descasco batatas quando asso, mas se você quiser uma sopa menos rústica e de sabor mais suave, descasque as suas. Usei manteiga na sopa para dar sabor e ajudar na textura, mas se quiser uma sopa vegana omita a manteiga e dobre a quantidade de azeite.

UPDATE: queridas e queridos, esqueci de avisar: o Feedburner foi desativado, e por isso precisei alterar o serviço de envio de novos posts do blog. Estou usando o Follow.it, portanto vocês receberão os emails enviados por eles. Obrigada à querida leitora Liana Siag por me escrever a respeito disso! 


Sopa de abobrinha e batata assadas

receita minha

 

- xícara medidora de 240ml

 

Legumes assados:

2 abobrinhas médias (520g no total) – sempre prefiro as de casca mais escura e menores, pois são menos aguadas

2 batatas grandes (400g no total)

1 cebola pequena (150g), descascada

3 dentes de alho

3 colheres (sopa) de azeite de oliva

sal e pimenta do reino moída na hora

 

Para finalizar a sopa:

1 ½ xícaras (360ml) de caldo de legumes

1 ½ xícaras (360ml) de água fervente

2 colheres (sopa) – 28g – de manteiga sem sal

1 colher (sopa) de azeite de oliva extra-virgem

 

Preaqueça o forno a 200°C. Forre uma assadeira grande e rasa com papel alumínio deixando sobrar um pouquinho dos lados, para que depois fique fácil mover os legumes.

Remova as pontas das abobrinhas e então corte-as em fatias de aproximadamente 1,5cm de espessura. Corte as batatas em pedaços de 1,5cm também – se quiser, descasque, eu mantive a casca. Corte a cebola em pedaços médios. Transfira os vegetais para a assadeira, junte os dentes de alho (ainda na casca) e regue com o azeite, envolvendo-os bem. Tempere com sal e pimenta do reino, misture bem, e leve ao forno por 45-50 minutos, ou até que os legumes estejam bem macios – importante assar bem as batatas para que não fiquem “encruadas”. Retire do forno com cuidado para não se queimar.

Transfira os legumes para uma panela alta, retirando a casca dos dentes de alho. Junte o caldo de legumes, a água, a manteiga e o azeite extra-virgem e leve ao fogo para aquecer. Quando ferver, desligue e bata com um mixer até obter um creme rústico – se desejar, use o liquidificador: eu confesso que uso o mixer por pura preguiça de lavar o copo do liquidificador. 😊 Verifique se precisa ajustar o sal e a pimenta, e então sirva – junte mais caldo e/ou água se desejar uma sopa menos espessa.

Rend.: 4 porções – aqui o João comeu 3, socorro :D


sexta-feira, agosto 05, 2022

Galette de alho-poró, ricota e tomate, tuítes importantes, jornada dupla e o meu e-book


Galette de alho-poró, ricota e tomate


Há algumas semanas eu estava no Twitter e uma série de tuítes da maravilhosa Aline Valek deu um nó na minha cabeça: mostro dois abaixo, mas ela postou uma sequência bem interessante. Aliás, se você não conhece o trabalho da Aline está perdendo: além de escrever e ilustrar bem à beça, a danada ainda tem um podcast ótimo chamado “Bobagens Imperdíveis” (eu não sou de podcasts e adoro o da Aline) e o curso dela no site Domestika é uma delícia:

 


Fui lendo o que Aline havia postado e uma ficha gigante caiu: comecei a lembrar do meu livro, quase pronto e esquecido havia muitos meses – nem a newsletter e nem no blog eu andava escrevendo mais. E aquilo começou a me incomodar muito, porque escrever é uma parte importante de quem eu sou, desde que me entendo por gente, e eu estava deixando de lado algo que me dá um imenso prazer. Pensei que eu mesma estava caindo no preconceito idiota de que escrever na Internet é algo menor, quando é exatamete o contrário: é incrível. Escrevo aqui no blog há mais de dezesseis anos, tenho leitoras e leitores veteraníssimos que me acompanham há muito tempo (alguns desde o começo!). Gente querida que faz minhas receitas, que me envia foto preparando bolos e cookies com seus filhos, que manda mensagens e emails cheios de afeto, que me acompanha nas redes sociais e compartilha comigo ideais de vida - é um blog de comida, sim, mas é muito mais do que isso.


Sou escritora. Não necessariamente preciso ter livro impresso para isso. Vou pegar o meu livro, que já está quase pronto, e lançar como e-book. Decidido.


No estalo que os tuítes da Aline me deram, fui atrás de alguém para diagramar o meu livrinho, e caí da cadeira quando recebi um orçamento de 15 mil reais para isso. Sim, você leu certo: 15 MIL REAIS.


Recuperada do tombo, abri o Canva e me pus a trabalhar: vou fazer o livro eu mesma. Sempre gostei de desafios e estava na hora de encarar mais um. Tenho trabalhado no projeto no meu tempo livre e, apesar de a jornada dupla secretária executiva/escritora e designer estar me deixando exausta e com uma baita dor nas costas, o resultado me anima todos os dias. Logo, logo o livrinho estará pronto e não vejo a hora de mostrar para vocês o resultado.


Enquanto isso não acontece, decidi movimentar um pouco as coisas: enviei newsletter semana passada (depois de meses sem enviar) e hoje posto uma galette bem linda e deliciosa que fiz para o livro, mas o danado está ENORME e tenho que cortar algumas coisas. Divido com vocês aqui no blog uma receita bem gostosa enquanto o livrinho não fica pronto.

 

Galette de alho-poró, ricota e tomate


 - xícara medidora de 240ml


Massa:

¾ xícara (105g) de farinha de trigo

½ xícara (70g) de farinha integral

1 colher (chá) de açúcar cristal ou refinado

½ colher (chá) de sal

1 tablete (100g) de manteiga sem sal, gelada e em cubinhos de 1cm

1 colher (sopa) de azeite de oliva extra-virgem

1 gema grande, temperatura ambiente

1 ½ colheres (sopa) de água gelada

 

Recheio:

2 colheres (sopa) de manteiga sem sal

1 alho-poró grande (100g), somente a parte mais clara, em rodelinhas

sal e pimenta do reino moída na hora

½ colher (sopa) de vinho branco seco

¾ xícara de ricota, esfarelada se estiver muito firme

3 colheres (sopa) de queijo canastra ralado grosseiramente – rale, depois meça

2 xícaras (320g) de tomates cereja, cortados ao meio no sentido do comprimento – meça, depois corte

5 raminhos de tomilho


Comece com a massa: no processador de alimentos, junte as farinhas, o açúcar e o sal e pulse para misturar. Junte a manteiga e o azeite e pulse algumas vezes, até obter uma farofa grossa. Em um potinho, misture bem a gema e a água gelada com um garfo, e acrescente ao processador, pulsado até que uma massa comece a se formar. Retire a massa do processador, forme um disco com ela e embrulhe em filme plástico. Leve à geladeira por 1 hora (pode ser feita de véspera se você quiser).


Enquanto isso, prepare o recheio: em uma frigideira antiaderente grande, derreta a manteiga e junte o alho-poró. Tempere com sal e pimenta do reino e refogue, mexendo algumas vezes, até o alho-poró amaciar. Junte o vinho branco, cozinhe por 1-2 minutos até evaporar, e então retire do fogo. Deixe esfriar completamente.


Pré-aqueça o forno a 180°C. Transfira o disco de massa para um pedaço grande de papel manteiga. Cubra com outro pedaço de papel e vá abrindo a massa com um rolo, até obter um círculo de aproximadamente 30cm de diâmetro.


Espalhe a ricota sobre a massa, deixando uma borda de cerca de 2cm. Sobre a ricota, espalhe o alho-poró refogado de maneira uniforme. Cubra com o queijo canastra, e então arrume os tomatinhos por cima.


Com cuidado, vá dobrando a massa da beirada sobre parte do recheio. Transfira a galette para uma assadeira, deslizando o papel manteiga com a torta diretamente para a assadeira.


Leve a galette à geladeira por 15 minutos. Arrume os raminhos de tomilho sobre a os tomates e leve a galette ao forno por 35-40 minutos ou até que doure bem. Sirva quente ou morna.


Rend.: 4 porções, servidas com salada ou como entrada

terça-feira, março 29, 2022

Molho de tomate da Marcella Hazan, o Oscar, e os clássicos


Molho de tomate da Marcella Hazan


Domingo passado eu tinha dito para o João que não assistiria ao Oscar, porque termina tarde demais e os resultados dos últimos anos não compensavam o meu sono perdido. Só que no começo da noite eu caí em tentação e acabei vendo. Foi tudo bem sem graça, como em anos anteriores, o meu favorito do coração só levou 1 estatueta apesar das 12 indicações, mas pelo menos vi a maravilhosa Jane Campion com o troféu nas mãos.

 

Will Smith ter levado o prêmio foi, para mim, uma das grandes injustiças da história do Oscar, tendo os impecáveis Benedict Cumberbatch e Andrew Garfield concorrendo com ele – nível Gwyneth Paltrow de injustiça. Ele como ator não merecia, ele é caricato, o filme é ruim... Sinto sono só de escrever sobre isso. E nada contra Will: se ele tivesse ganhado quando foi indicado com “Ali”, eu teria aplaudido.

 

E falando nele, a cerimônia virou uma confusão danada por causa do tapa bem dado na cara do Chris Rock e o barraco acabou ofuscando um pouco os prêmios, mas sinceramente, pensando nos ganhadores, nem precisava ter tido porrada para que isso acontecesse: alguém vai mesmo se lembrar de “No Ritmo do Coração” daqui a dez anos? Ou cinco?

 

No futuro, falaremos de “Ataque dos Cães”, da beleza do filme, do roteiro, das interpretações, da fotografia, em como foi inovador e provocador, tendo feito até o Sam Elliott ter um ataque de Maria Pelanca. Falaremos do quanto Jane Campion é incrível e de como ela inovou não só o cinema, mas também a TV, sendo aplaudida de pé por minutos a fio em Cannes com um seriado – quem viu “Top of the Lake” sabe. Falaremos, no futuro, em como o filme foi preterido por algo mais palatável, uma Sessão da Tarde fofinha.

 

Alguém ainda se lembra de “Crash – No Limite”, a não ser que seja para comentar a injustiça que houve com “Brokeback Mountain”? Aliás, o único “Crash” do qual eu sempre lembro é o do Cronenberg.

 

“Ataque dos Cães” se tornará um clássico, não há dúvida. E os clássicos são eternos.

Falando neles, depois de quinze anos de blog, finalmente preparei o molho de tomate da Marcella Hazan, a versão com tomate pelado – difícil de acreditar que eu nunca tinha feito esta receita antes, mas sempre que eu lembrava de prepará-la já tinha colocado azeite na panela e picado a cebola, daí deixava para uma próxima.

 

O molho é incrivelmente fácil de fazer, prático e o melhor de tudo: delicioso. A manteiga dá textura ao molho, além de sabor, deixando-o aveludado. Fiquei apaixonada pela receita e já a repeti mais algumas vezes depois do dia da foto. Tenho certeza de que quem ainda não provou, vai amar.

 

Aproveito para lhes contar que o manjericão que usei no molho estava congelado: manjericão estraga super fácil, então congelo para usar em molhos e pizzas (antes de assar). Não serve para fazer salada, mas para receitas em que haja algum tipo de cozimento é uma mão na roda e evita desperdício.

 

Molho de tomate da Marcella Hazan

um nadinha adaptado daqui

 

2 latas de tomates pelados, passados pelo liquidificador ou mixer

1 lata de água fria (meça nas latas para "enxaguar" o restinho de tomate nelas)

5 colheres (sopa) – 70g – de manteiga sem sal

1 cebola média, descascada e cortada ao meio, sem separar as pétalas

1 folha de louro

sal e pimenta do reino moída na hora

folhas de manjericão fresco

 

Coloque os tomates batidos, a água, a cebola com a parte cortada virada para baixo, a manteiga, o louro, o sal e a pimenta em uma panela grande (precisa ser alta, porque o molho espirra um pouco durante o cozimento). Misture levemente para incorporar os temperos e leve ao fogo baixo, com a panela destampada, por cerca de 40 minutos, mexendo de vez em quando para não grudar no fundo.

 

Desligue o fogo, remova a cebola e o louro e junte o manjericão. Sirva com o macarrão da sua preferência.

 

Rend.: o suficiente para 500g de macarrão

 

terça-feira, março 22, 2022

Cookies com gotas de chocolate e castanha de caju com farinha de centeio, um tuíte grosseiro, e posts de blogs de comida


Cookies de chocolate e castanha de caju com farinha de centeio


Umas duas semanas atrás fui marcada no Twitter pela minha leitora querida Carol Himura em um tuíte de uma mulher chamada Catharine Richert, grossa feito um cão, que dava um conselho aos blogueiros de comida: que tudo o que as pessoas querem é a receita, que não estão nem aí para as histórias que a acompanham, entre outras coisas.



(ao começar a digitar este texto, escrevi o nome dela como “Chatharine”, vão vendo). :)

A Carol, muito linda, dizia que lia o blog por causa das minhas histórias: eu abri um sorriso largo quando li isso, me senti super lisonjeada e feliz – obrigada, querida. <3

Eu imagino que nem todo mundo tenha vontade de ler as histórias, eu mesma, quando ainda tinha tempo de ler blogs de comida (muitos anos atrás) nem sempre lia as histórias todas, dependia muito de quem estava escrevendo e o assunto do post. Mas achei uma atitude tão mesquinha e cretina a da Catharine, pois se ela quer só a receita é só rolar a página até encontrá-la: não vai cair o dedo. Não precisa fazer post grosseiro no Twitter, dando um “conselho” que, na verdade, ninguém pediu.

O que me conforta é o tanto de comentário que ela recebeu de volta, de pessoas argumentando com educação (ao contrário da própria) sobre o quanto ela estava sendo egoísta, pois muitos blogueiros recebem dinheiro dos anúncios nas páginas, e que ela estava reclamando de um conteúdo incrível postado na internet totalmente DE GRAÇA. Amei que teve gente falando pra ela comprar livros de receita para apoiar escritores, alguns disseram pra ela então gastar dinheiro em uma assinatura de revista de receitas, enquanto outros falaram para ela acessar sites como o Epicurious.

Aquele quentinho no coração de que ainda existe gente sensata nesse mundo doido. Alegria pensando que se eu conseguir terminar o meu livrinho e publicá-lo, vai ter gente lendo as histórias da minha vida com prazer.

Pensando em tudo isso, fiz um chá bem gostoso, sentei em frente ao computador e escrevi este post, e juntei a ele a receita de uns cookies deliciosos que fiz para levar para o trabalho tempos atrás. Sei que nem todo mundo vai ler o post em si e vai rolar direto para a receita, e tudo bem. Vai ter gente que vai ler o post, vai ter gente que vai ver só a receita, vai ter gente que vai fazer os cookies em casa e vai me marcar nas redes – todas as opções me deixam feliz. Se você ainda passa pelo meu cantinho depois de quase dezesseis anos nessa internet de meu deos (cheguei aqui quando era tudo mato!), muito obrigada – tenha certeza de que eu aprecio cada minuto que você passa por aqui. xx

 

Cookies com gotas de chocolate e castanha de caju com farinha de centeio

receita minha


- xícara medidora de 240ml

 

¾ xícara (105g) de farinha de trigo

½ xícara (70g) de farinha de centeio fina - pode ser substituída por farinha de trigo integral

½ colher (chá) de bicarbonato de sódio

1/8 colher (chá) de canela em pó

¼ colher (chá) de sal

½ xícara (113g) de manteiga sem sal, temperatura ambiente

¼ xícara (50g) de açúcar cristal

½ xícara (88g) de açúcar mascavo claro – aperte-o na xícara na hora de medir

1 ovo grande, temperatura ambiente

½ colher (chá) de extrato de baunilha

2 colheres (chá) de Frangelico (opcional)

1 xícara (175g) de gotas de chocolate amargo ou meio amargo – chocolate picado também funciona; se desejar, aumente um pouco a quantidade de chocolate para decorar os topos dos biscoitos antes de assar

2/3 xícara (93g) de castanhas de caju torradas sem sal, picadas – meça, depois pique

 

Em uma tigela média, misture bem com um batedor de arame a farinha de trigo, a farinha de centeio, o bicarbonato de sódio, a canela e o sal. Reserve.

Na tigela da batedeira, junte a manteiga e os açúcares e bata em velocidade médio-alta até obter um creme claro – raspe as laterais e o fundo da tigela algumas vezes durante todo o preparo da receita.

Junte o ovo e bata bem. Junte a baunilha e o Frangelico e bata.

Com a batedeira desligada, junte os ingredientes secos e então misture em velocidade mínima, somente até uma massa se formar. Desligue a batedeira e incorpore o chocolate e as castanhas de caju usando uma espátula de silicone.

Separe porções de 2 colheres (sopa) niveladas de massa por cookie e coloque em uma assadeira forrada com papel manteiga – como a massa ainda vai para a geladeira, as bolinhas podem ficar próximas umas das outras. Se quiser, decore o topo de cada cookie com um pedacinho de chocolate.

Leve à geladeira por 1 hora e, se quiser, pode refrigerar por até 24 horas.

Preaqueça o forno a 180°C. Forre duas assadeiras grandes com papel manteiga.

Arrume as porções de massa nas formas preparadas, deixando 5cm entre uma e outra.

Asse por 13-15 minutos ou até que comecem a dourar nas extremidades. Retire do forno, deixe esfriar nas assadeiras por 5 minutos, e então deslize o papel com os cookies para uma gradinha. Deixe esfriar completamente.

Os cookies podem ser guardados em um recipiente hermético em temperatura ambiente por até 5 dias. As bolinhas de massa crua podem ser congeladas por até 2 meses – congele em aberto, e então transfira para um saquinho plástico.

Rend.: cerca de 22 cookies

 

quarta-feira, março 16, 2022

Crumble Peach Melba com um toque de fubá e apego


Peach melba crumble com um toque de fubá


Quem me segue no Instagram deve saber que sou fã da Alison Roman: as receitas parecem deliciosas e fáceis de fazer (como a berinjela que postei aqui no blog tempos atrás), ela é divertida, linda, gosta mesmo de comida e os vídeos dela são tão bacanas que, sempre que estou tendo um dia meio bunda, corro para revê-los, pois sempre me deixam mais alegrinha (é isso ou uma bebidinha, e tem dias que faço o combo, porque né, o Brasil deixa qualquer um desgraçado da cabeça).

 

Reparei nos vídeos da Alison que ela sempre, ou quase sempre, usa uma colher de pau para preparar as receitas, uma colher que parece meio velhinha (pelo vídeo tenho a impressão de que falta um pedacinho na ponta). Ela usa a colher para misturar um ensopado, um macarrão com couve-flor (que estou doida pra fazer), entre outras coisas, e além disso sempre prova as receitas usando uma colher dourada: pois bem, Alison é apegada às colherinhas dela, e eu me identifiquei demais com isso.

 

Eu me apego. Eu me apego a muitas coisas. Ou “me agarro”, como diz o meu amigo querido Fellipe.

 

Assim com a Alison Roman, também tenho minha colher de pau preferida, que uso para todas as receitas salgadas (para doces, uso espátulas de silicone que nunca uso em nada salgado). Tenho minha assadeira preferida, já toda manchada com os efeitos do tempo, e o copo favorito que uso para tudo: vinho, água com gás, um drinkinho. Tenho minha almofada favorita pra ver TV no sofá, e o um cobertorzinho pequenino que comprei há anos, no qual me enrolo sempre que esfria – quase o Lino da turma do Charlie Brown.

 

Eu me apego a comidas, também: não pode faltar macarrão nesta casa, sempre tem pão no freezer, o pote de arroz nunca está vazio. Um bolinho para tomar café da tarde, hábito que se intensificou na pandemia, e uma leva de almôndegas no freezer que podem virar almoço ou sanduba. E crumbles: mesmo em dias extremamente quentes já fui louca o suficiente para ligar o forno para fazer um crumble, para depois comer suando, mas feliz. É uma sobremesa que amo, tão caseira e simples e mesmo assim tão deliciosa, que posso fazer com uma variedade enorme de frutas, inclusive congeladas, que é fácil de preparar e leva ingredientes básicos que eu sempre tenho em casa: farinha, açúcar, manteiga.

 

A receita de hoje foi resultado de uns pêssegos lindos que o João trouxe do supermercado no começo de janeiro: alguns estavam maduros e doces e eu os devorei logo de cara. Outros estavam mais sequinhos e meio sem gosto, então foram para o forno em forma de crumble com framboesas que eu tinha no freezer, para lembrar os sabores do Peach Melba, sobremesa inventada por Auguste Escoffier.

 

Testei também usar geleia de framboesa no lugar das framboesas, pois sei que nem todo mundo encontra as frutinhas para comprar, e deu certo: não fica exatamente a mesma coisa, mas fica bom também, desde que a geleia usada não seja doce demais.

 

Vocês também se apegam?

 

Crumble Peach Melba com um toque de fubá

receita minha

 

- xícara medidora de 240ml

 

Cobertura:

¼ xícara (35g) de farinha de trigo comum

¼ xícara (35g) de farinha de fubá mimoso (bem fininho)

2 colheres (sopa) de açúcar demerara ou cristal

1/8 colher (chá) de fermento em pó

1 pitada de canela em pó

1 pitada de sal

3 colheres (sopa) – 42g – de manteiga sem sal, derretida e fria

¼ xícara (22g) de aveia em flocos grossos

 

Recheio:

6 pêssegos grandes (500g no total)

½ xícara de framboesas, frescas ou congeladas – se for usar congeladas, não descongelar antes*

 

Preaqueça o forno a 180°C. Separe 4 potinhos refratários com capacidade para 150ml cada.

 

Cobertura: em um tigela pequena junte a farinha de trigo, o fubá, o açúcar, o fermento , a canela e o sal e misture com um batedor de arame. Acrescente a manteiga e misture com um garfo até obter uma farofa grossa. Incorpore a aveia com o garfo, e então leve a mistura ao freezer por 5 minutos enquanto você prepara o recheio.

 

Corte os pêssegos ao meio e remova os caroços. Em seguida, corte-os em cubos de cerca de 1,5cm. Junte as framboesas e misture levemente – se os pêssegos estiverem muito azedos, junte um pouquinho de açúcar e misture. Divida as frutas entre os potinhos e cubra com a farofinha.

Leve ao forno por cerca de 30 minutos ou até que a cobertura fique bem dourada e a fruta borbulhe.

Sirva puro, com creme de leite, chantilly ou sorvete.

 

* se preferir usar geleia em vez das framboesas, considere cerca de 1 colher (sopa) por potinho e distribua em pequenas porções sobre os pedaços de pêssego

 

Rend.: 4 porções

quarta-feira, março 09, 2022

Fritttata de abobrinha e gorgonzola, a salada da Jennifer Aniston e comidas repetidas


Fritttata de abobrinha e gorgonzola

Dias desses vi alguns posts no Instagram sobre uma tal salada que Jennifer Aniston teria comido no set de Friends todos os dias, por dez anos – confesso que quase caí do sofá, imaginando o porquê de alguém comer sempre a mesma coisa por tanto tempo.


Antes de mais nada, a salada me parece ótima: com triguilho, pepino, grão-de-bico, ervas, feta, pistache, tenho certeza de que é deliciosa, mas passar meses e anos da vida comendo sempre a mesma coisa me dá angústia só de pensar, ainda mais se pensarmos que se trata de uma pessoa rica e que tem condições de comer o que bem entender, onde bem entender.


Como dizia minha avó, “Deus não dá asa a cobra”. :)


Tô aqui julgando a Jennifer, mas tenho mania de comer sempre a mesma coisa no café da manhã: café com leite de castanha de caju, meu pão 100% integral com manteiga ou geleia e uma porção de fruta, geralmente mamão para dar uma ajudinha ao intestino, que já nasceu travado (desculpem pelo excesso de informação). :) Eu admiro quem faz coisas diferentes para o café da manhã, como ovos, panquecas, tapiocas, acho tudo isso delicioso, mas não tem muita paciência cedo para soltar a criatividade na cozinha. Por isso, quando viajava, aproveitava para comer coisinhas gostosas e diferentes nos cafés da manhã nos hotéis ou de padarias e cafés perto deles.


Já no almoço sempre gostei de variar, de comer coisas diferentes: um dia arroz, feijão e legumes, de vez em quando com carne ou frango, em outro macarrão, sanduíche nos dias mais corridos, saladas encorpadas (como a da Jennifer) para o calor, ou na época em que eu levava às vezes marmita para o trabalho. E nisso tudo, tenho meus favoritos, receitas que eu amo e que são versáteis, que posso variar dependendo do que tiver na geladeira, do que estiver mais pra lá do que pra cá, ou dependendo da vontade do momento mesmo. Por exemplo, amo ovo, sou team zoiúdo forever, gosto do danado de tudo quanto é jeito: cozido, frito, pochê, omelete, e as maravilhosas frittatas, que faço de vários sabores e ficam todas incríveis. A que trago hoje é deliciosa e sai bonita e imponente do forno, mas eu fiquei enrolando para tirar a foto (dúvida na cor do fundo), e ela acabou murchando um pouquinho na hora do clique. Tinha planejado coloca-la no livro, mas como ele já está grande demais, publico a receita aqui no blog.


Espero que gostem da minha frittata de abobrinha, mas no atual momento em São Paulo, pelo menos, tá um calor horroroso e ligar o forno é impossível: melhor fazer a frittata em outro momento. Falando em calor, ontem enviei uma newsletter com sobremesas fresquinhas para ajudar a refrescar esses dias (e noites) sufocantes: se quiser ler a cartinha e também se inscrever para recebê-la por e-mail, pode clicar aqui.


Um último detalhe: a receita pede por 2 abobrinhas pequenas – sempre prefiro comprar abobrinhas pequenas, pois são mais saborosas, mais firmes e menos aguadas. Na receita há também o total em gramas, caso você tenha abobrinhas maiores em casa.                                     


Fritttata de abobrinha e gorgonzola

 

1 ½ colheres (sopa) de azeite de oliva

2 dentes de alho, picadinhos

5 raminhos de tomilho fresco, somente as folhas

2 abobrinhas pequenas (aprox. 300g no total), em cubinhos de cerca de 1cm

½ colher (chá) de molho inglês

sal e pimenta do reino moída na hora

1 colher (sopa) de folhas de salsinha fresca, picadinha – meça, depois pique

raspas da casca de 1 limão cravo (ou taiti, ou siciliano)

1 colher (sopa) de vinho branco seco

4 ovos grandes, temperatura ambiente

1 colher (sopa) de parmesão ralado fininho – rale, depois meça

3 colheres (sopa) de gorgonzola, esmigalhado ou grosseiramente ralado se for muito firme

 

Preaqueça o forno a 200°C.


Em fogo médio, aqueça o azeite em uma frigideira de 20cm de diâmetro e que possa ir ao forno (fique atenta ao material do cabo da frigideira). Junte o alho e o tomilho e refogue por 1 minuto, só até perfumar – não deixe o alho queimar, para não ficar amargo.


Junte a abobrinha e misture bem. Acrescente o molho inglês, tempere com sal e pimenta (cuidado com o sal, pois o molho inglês e o gorgonzola são salgadinhos) e refogue por 1-2 minutos. Junte a salsinha, as raspas de limão e o vinho branco, misturando bem, e então espalhe a abobrinha pela frigideira, para que possa receber os ovos.


Em uma tigelinha, bata os ovos com um garfo, tempere levemente com sal e pimenta, junte o parmesão e misture bem. Despeje sobre a mistura da frigideira de maneira homogênea. Espalhe o gorgonzola sobre os ovos.


Baixe o fogo, deixe a frittata firmar por 2 minutos e então leve ao forno por mais 5-6 minutos ou até que a frittata que estufe e doure – ao sair do forno, ela começa a murchar levemente, como se fosse um suflê – não tem problema!


Sirva imediatamente.


Rend.: 2 porções


quarta-feira, fevereiro 09, 2022

Um assunto importante para mim e a opinião de vocês


Minhas queridas e meus queridos, hoje quero conversar com vocês sobre um assunto importante para mim: a história do meu livro.

No meu desabafo de 17 de dezembro, contei para vocês que havia passado muitos meses (pouco mais de um ano) cozinhando, fotografando e escrevendo um livro. Tudo foi feito com bastante carinho, mas em passos de formiguinha, porque eu só tinha tempo de trabalhar no projeto à noite, aos finais de semana e em feriados, por causa do meu trabalho em tempo integral. Depois dos meses difíceis que tive no final do ano passado e começo deste, estou me sentindo melhor (graças à mudança no tratamento para depressão) e, ao ler um pouco do que eu tinha escrito, me deu muita vontade de retomar o projeto e terminá-lo (falta pouco).

Não sei ainda se conseguirei publicar o livro com alguma editora (se alguém tiver algum contato, eu agradeço muito!) ou se terei de fazer algo independente. Como o danado ficou imenso (cheio de fotos!), temo que impresso ficaria caro, portanto estou considerando publicar a versão digital apenas, caso seja mais acessível. Só que isso me fez pensar que talvez não haja tanta procura e/aceitação: sei que muita gente se converteu a livros digitais, especialmente durante a pandemia, porque vejo os elogios ao Kindle nas redes sociais. Entretanto, as pessoas se referem a romances, livros de contos: livros de texto apenas. Não sei como as pessoas se sentem com livros de receita digitais. O meu livro não é propriamente um livro de receitas, e sim um livro de memórias com receitas, com fotos em todas elas (e outras fotos mais).

Por isso, escrevo hoje por aqui para perguntar o que vocês acham sobre o assunto: seria incrível poder contar com a opinião de quem me acompanha, lê o blog e faz as minhas receitas. Quem preferir me mandar um e-mail em vez de comentar aqui, também vou adorar: patricia (ponto) scarpin@gmail.com

Deixo o meu obrigada pela ajuda preciosa e um grande beijo. x

sexta-feira, fevereiro 04, 2022

Um dia bom e um prato de macarrão


Domingo passado foi um dia tão bom que fiquei pensando nele o restante da semana, e mesmo tendo chegado do escritório exausta ontem à noite, não resisti a me sentar na sala com o meu caderno e escrever um pouco sobre este dia.

Depois de muitos (muitos mesmo) finais de semana sem vontade alguma de cozinhar, domingo passado eu tive vontade de fazer algo bem gostoso para o almoço. Depois de pensar um pouco, decidi que faria uma comidinha com sabor de infância, com jeitão dos domingos de quando eu era pequena e ora o almoço era na casa da minha avó, ora na casa da tia Angélica (a dona do bolo de fubá mais maravilhoso do mundo), ora na minha casa, uma receita que além de tudo isso também é o prato favorito do João e do Pingo: macarrão à bolonhesa.

Fui para a cozinha, coloquei um golinho de vinho no meu copo preferido, separei os ingredientes e os coloquei sobre a pia. Aqueci a panela, juntei o azeite e coloquei a carne para dourar. Sal e pimenta, adicionei a cebola e senti aquele cheiro delicioso tomar conta de tudo ao redor. Em seguida vieram o alho, o extrato de tomate, o vinho, e todos os outros ingredientes. E assim saboreei cada passo da receita, cada perfume, tudo sem pressa, sem correria, e se o almoço saísse às três da tarde em vez de meio-dia, tudo bem: eu estava, novamente, sentido prazer com o processo.

Finalizei o molho com um punhado generoso de manjericão, juntei a ele o espaguete e um pouquinho da água do cozimento e deixei cozinhar por um minuto, todos os sabores se misturando, a massa sugando o sabor do molho, o apartamento tomado por um cheiro maravilhoso. Macarrão no prato, chuvinha de pecorino ralado para mim, fio de azeite para o João, mais um pouquinho de vinho no copo, pão para limpar o molho do prato no final: assim tivemos um almoço de domingo gostoso, como havia muito tempo não tínhamos. Foi almoço com gostinho de infância, com gostinho de quando almoços de domingo eram especiais a ponto de eu fazer listas em pequenas cadernetas com todas as ideias de receita que queria provar.

Almoço tão gostoso que deu vontade de escrever aqui no blog. xx

terça-feira, janeiro 18, 2022

Os filmes da TV a cabo


Oi, pessoal, como vocês estão?

Apesar de não estar cozinhando quase nada, hoje senti vontade de escrever aqui no blog, mas o assunto não tem nada a ver com comida, não tem receita – hoje escrevo sobre filmes.

A inspiração para este post veio de um vídeo, um trechinho de uma entrevista do Stephen Fry no programa do Graham Norton – adoro ambos. Olhando para Stephen e toda a sua grandiosidade, tanto em tamanho mesmo quanto em talento, lembrei dele como Oscar Wilde no filme “Wilde”, que vi séculos atrás – além disso, sempre lembro do vídeo que ele gravou implorando que o brasileiros não votasse no Saco de Bosta antes das eleições de2018, o que me faz adorá-lo ainda mais. Esse filme ótimo, que nunca mais encontrei para rever, me fez pensar no quanto a TV a cabo mudou de meados dos anos 90 para cá. Meu pai colocou TV a cabo em casa em 94, se não me engano, e na época chegava uma revista com toda a programação do mês – era um calhamaço, pois além das grades de canais e do que passaria em cada um deles, no final da revista havia uma espécie de índice com os filmes, incluindo título, título original, diretor, elenco, ano de lançamento, e sinopse. Eu agarrava a revista no dia em que ela chegava, levava correndo para o meu quarto e, com uma caneta marca-texto, saía amarelando tudo quando era página, para depois me programar e assistir ao máximo de filmes que pudesse.

Durante aqueles primeiros anos, vi filmes que não existiam nas locadoras – ou eram difíceis de encontrar, pequenas obras-primas, me apaixonei por diretores, atores e atrizes, fui construindo minha lista de favoritos. Filmes incríveis que hoje são mais difíceis de achar do que na época. E eles passavam o tempo todo, ou pelo menos 1 ou 2 vezes por mês, diferentemente de hoje em dia em que são sempre os mesmos filmes, to-da se-ma-na, isso quando não é o mesmo passando em dois canais diferentes.

Naquela época vi na TV a cabo filmes como “Wilde”, de que falei no começo do post, alguns outros dos quais já tinha ouvido falar ou lido a respeito nas revistas “Set” que eu lia na biblioteca, como “O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante”, “Perdas e Danos”, “O Amante”, “Taxi Driver”, “Traídos pelo Desejo”, e outros que eu nem sabia que existiam, como “Absolute Beginners”, “Anjos e Insetos”, “Coração Selvagem”, “Um Sonho Sem Limites”, “Jamón, Jamón”, “Colcha de Retalhos”.

Até o Telecine Cult, que costuma ser um alívio para quem não gosta de filme de super-herói ou não suporta Adam Sandler, anda tão repetitivo: geralmente está passando “Flashdance”, ou “De Volta para o Futuro”. Desânimo.

Saudades de zapear a TV e ver as bizarrices do David Cronenberg em “Gêmeos: Mórbida Semelhança” ou “Mistérios e Paixões”. Imagina ir trocando de canal e dar de cara com as loucuras de Peter Greenaway, ver filmes de começo de carreira de Paul Thomas Anderson, Richard Linklater ou Cameron Crowe, descobrir que Ben Stiller já dirigiu filme bacana e que Kathryn Bigelow é fodona há tempos, muito antes de ganhar o Oscar.

Vocês também tem filmes queridos do passado que não encontra mais em lugar nenhum para rever? Me conta? xx

sexta-feira, dezembro 17, 2021

Um post difícil de escrever


Hoje não tem foto, nem receita.

Quem lê o blog deve ter percebido que ultimamente eu não ando muito animada no geral, e menos ainda com a cozinha – na verdade, falta de ânimo, cansaço e tristeza são coisas que muita gente com quem converso tem sentido, especialmente se a pessoa mora no Brasil. Lidar com uma pandemia, ver gente imbecil dizendo que não vai tomar vacina porque “causa autismo” ou porque “tem GPS na vacina” (entre outros absurdos), testemunhar o desmonte quase que completo do nosso país em tão pouco tempo é revoltante, trágico, me causa raiva, um ódio tão profundo que eu nem sabia que poderia sentir.

A gente vai levando, tocando pra frente, às vezes sem saber direito pra onde, tudo fica meio mecânico, levanta da cama, trabalha, come, toma banho, vê TV. E todo dia é assim, e foram vários meses desta forma. E eu sempre pensava que, quando estivesse vacinada, voltaria a sair, pelo menos para algumas coisas, pelo menos para comer aos finais de semana. E de fato atualmente é isso, almoço fora de vez em quando, pizza à noite em uma sexta ou sábado. E, na minha cabeça, isso resolveria a minha falta de vontade de cozinhar, pois o ranço era culpa da pandemia e de cozinhar todo santo dia por mais de um ano.

Só que algo se quebrou pelo caminho e o meu plano não funcionou.

Curiosamente, durante os últimos 14 meses, fui trabalhando em um projeto de um livro, bem aos pouquinhos, quando dava, e o danado está praticamente pronto – ainda tenho que testar novamente algumas receitas para fotografar e reescrever alguns trechos, mas o grosso, como dizem, eu já fiz. E quando eu testava essas receitas, as fotografava e as escrevia, me sentia bem, uma sensação de dever cumprido, de prazer de fazer algo com tanto carinho. E esse “combustível” foi me alimentando por meses, mais de um ano, só que acabou.

Eu achava que era preguiça e/ou cansaço de cozinhar, e continuei fazendo almoço, pão, pizza. Mesmo sem vontade, afinal de contas temos que comer.

Até o dia em que eu fui para a cozinha para preparar o almoço e, ao começar a aquecer o azeite na panela para refogar a cebola, eu quis sumir dali. Durante todo o processo de fazer o arroz, refogar a abobrinha, preparar e temperar a salada, eu queria sair correndo. Os cheiros me enjoavam, meu apetite desapareceu: comi uma colherada de arroz e uma de salada, e me obrigando a comer, só pra não ficar com dor de cabeça de fome depois.

Não era cansaço, não era preguiça, não era falta de vontade: era repulsa.

Cozinhar por obrigação já foi parte da minha vida em vários outros momentos, na adolescência, antes de casar também, e eu fazia a comida mesmo sem querer fazer, mas sentir repulsa foi a primeira vez desde os meus 11 anos (tenho 43).

O processo todo me fez entrar em uma espécie de crise: como assim eu não quero mais cozinhar? Eu cozinho há mais de trinta anos! Eu não POSSO não gostar mais de cozinhar. Quem sou eu sem a cozinha? O que eu faço agora?

Não sei o que vai ser das refeições aqui em casa, não sei o que vai ser do blog - eu não sei. Não sei de nada. De absolutamente NADA.

Tô me sentindo perdida, triste, angustiada. A única coisa que se fato sei é que precisava tirar isso do meu coração – tá sendo difícil lidar.

O blog continuará aqui, eu jamais deletaria nada. Só não sei quando vem o próximo post, SE vem. Mas as receitas já publicadas permanecem aqui, para que vocês possam reproduzi-las em casa se tiverem vontade.

Obrigada pela companhia, por tanto tempo. xx

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