terça-feira, março 29, 2022

Molho de tomate da Marcella Hazan, o Oscar, e os clássicos


Molho de tomate da Marcella Hazan


Domingo passado eu tinha dito para o João que não assistiria ao Oscar, porque termina tarde demais e os resultados dos últimos anos não compensavam o meu sono perdido. Só que no começo da noite eu caí em tentação e acabei vendo. Foi tudo bem sem graça, como em anos anteriores, o meu favorito do coração só levou 1 estatueta apesar das 12 indicações, mas pelo menos vi a maravilhosa Jane Campion com o troféu nas mãos.

 

Will Smith ter levado o prêmio foi, para mim, uma das grandes injustiças da história do Oscar, tendo os impecáveis Benedict Cumberbatch e Andrew Garfield concorrendo com ele – nível Gwyneth Paltrow de injustiça. Ele como ator não merecia, ele é caricato, o filme é ruim... Sinto sono só de escrever sobre isso. E nada contra Will: se ele tivesse ganhado quando foi indicado com “Ali”, eu teria aplaudido.

 

E falando nele, a cerimônia virou uma confusão danada por causa do tapa bem dado na cara do Chris Rock e o barraco acabou ofuscando um pouco os prêmios, mas sinceramente, pensando nos ganhadores, nem precisava ter tido porrada para que isso acontecesse: alguém vai mesmo se lembrar de “No Ritmo do Coração” daqui a dez anos? Ou cinco?

 

No futuro, falaremos de “Ataque dos Cães”, da beleza do filme, do roteiro, das interpretações, da fotografia, em como foi inovador e provocador, tendo feito até o Sam Elliott ter um ataque de Maria Pelanca. Falaremos do quanto Jane Campion é incrível e de como ela inovou não só o cinema, mas também a TV, sendo aplaudida de pé por minutos a fio em Cannes com um seriado – quem viu “Top of the Lake” sabe. Falaremos, no futuro, em como o filme foi preterido por algo mais palatável, uma Sessão da Tarde fofinha.

 

Alguém ainda se lembra de “Crash – No Limite”, a não ser que seja para comentar a injustiça que houve com “Brokeback Mountain”? Aliás, o único “Crash” do qual eu sempre lembro é o do Cronenberg.

 

“Ataque dos Cães” se tornará um clássico, não há dúvida. E os clássicos são eternos.

Falando neles, depois de quinze anos de blog, finalmente preparei o molho de tomate da Marcella Hazan, a versão com tomate pelado – difícil de acreditar que eu nunca tinha feito esta receita antes, mas sempre que eu lembrava de prepará-la já tinha colocado azeite na panela e picado a cebola, daí deixava para uma próxima.

 

O molho é incrivelmente fácil de fazer, prático e o melhor de tudo: delicioso. A manteiga dá textura ao molho, além de sabor, deixando-o aveludado. Fiquei apaixonada pela receita e já a repeti mais algumas vezes depois do dia da foto. Tenho certeza de que quem ainda não provou, vai amar.

 

Aproveito para lhes contar que o manjericão que usei no molho estava congelado: manjericão estraga super fácil, então congelo para usar em molhos e pizzas (antes de assar). Não serve para fazer salada, mas para receitas em que haja algum tipo de cozimento é uma mão na roda e evita desperdício.

 

Molho de tomate da Marcella Hazan

um nadinha adaptado daqui

 

2 latas de tomates pelados, passados pelo liquidificador ou mixer

1 lata de água fria (meça nas latas para "enxaguar" o restinho de tomate nelas)

5 colheres (sopa) – 70g – de manteiga sem sal

1 cebola média, descascada e cortada ao meio, sem separar as pétalas

1 folha de louro

sal e pimenta do reino moída na hora

folhas de manjericão fresco

 

Coloque os tomates batidos, a água, a cebola com a parte cortada virada para baixo, a manteiga, o louro, o sal e a pimenta em uma panela grande (precisa ser alta, porque o molho espirra um pouco durante o cozimento). Misture levemente para incorporar os temperos e leve ao fogo baixo, com a panela destampada, por cerca de 40 minutos, mexendo de vez em quando para não grudar no fundo.

 

Desligue o fogo, remova a cebola e o louro e junte o manjericão. Sirva com o macarrão da sua preferência.

 

Rend.: o suficiente para 500g de macarrão

 

terça-feira, março 22, 2022

Cookies com gotas de chocolate e castanha de caju com farinha de centeio, um tuíte grosseiro, e posts de blogs de comida


Cookies de chocolate e castanha de caju com farinha de centeio


Umas duas semanas atrás fui marcada no Twitter pela minha leitora querida Carol Himura em um tuíte de uma mulher chamada Catharine Richert, grossa feito um cão, que dava um conselho aos blogueiros de comida: que tudo o que as pessoas querem é a receita, que não estão nem aí para as histórias que a acompanham, entre outras coisas.



(ao começar a digitar este texto, escrevi o nome dela como “Chatharine”, vão vendo). :)

A Carol, muito linda, dizia que lia o blog por causa das minhas histórias: eu abri um sorriso largo quando li isso, me senti super lisonjeada e feliz – obrigada, querida. <3

Eu imagino que nem todo mundo tenha vontade de ler as histórias, eu mesma, quando ainda tinha tempo de ler blogs de comida (muitos anos atrás) nem sempre lia as histórias todas, dependia muito de quem estava escrevendo e o assunto do post. Mas achei uma atitude tão mesquinha e cretina a da Catharine, pois se ela quer só a receita é só rolar a página até encontrá-la: não vai cair o dedo. Não precisa fazer post grosseiro no Twitter, dando um “conselho” que, na verdade, ninguém pediu.

O que me conforta é o tanto de comentário que ela recebeu de volta, de pessoas argumentando com educação (ao contrário da própria) sobre o quanto ela estava sendo egoísta, pois muitos blogueiros recebem dinheiro dos anúncios nas páginas, e que ela estava reclamando de um conteúdo incrível postado na internet totalmente DE GRAÇA. Amei que teve gente falando pra ela comprar livros de receita para apoiar escritores, alguns disseram pra ela então gastar dinheiro em uma assinatura de revista de receitas, enquanto outros falaram para ela acessar sites como o Epicurious.

Aquele quentinho no coração de que ainda existe gente sensata nesse mundo doido. Alegria pensando que se eu conseguir terminar o meu livrinho e publicá-lo, vai ter gente lendo as histórias da minha vida com prazer.

Pensando em tudo isso, fiz um chá bem gostoso, sentei em frente ao computador e escrevi este post, e juntei a ele a receita de uns cookies deliciosos que fiz para levar para o trabalho tempos atrás. Sei que nem todo mundo vai ler o post em si e vai rolar direto para a receita, e tudo bem. Vai ter gente que vai ler o post, vai ter gente que vai ver só a receita, vai ter gente que vai fazer os cookies em casa e vai me marcar nas redes – todas as opções me deixam feliz. Se você ainda passa pelo meu cantinho depois de quase dezesseis anos nessa internet de meu deos (cheguei aqui quando era tudo mato!), muito obrigada – tenha certeza de que eu aprecio cada minuto que você passa por aqui. xx

 

Cookies com gotas de chocolate e castanha de caju com farinha de centeio

receita minha


- xícara medidora de 240ml

 

¾ xícara (105g) de farinha de trigo

½ xícara (70g) de farinha de centeio fina - pode ser substituída por farinha de trigo integral

½ colher (chá) de bicarbonato de sódio

1/8 colher (chá) de canela em pó

¼ colher (chá) de sal

½ xícara (113g) de manteiga sem sal, temperatura ambiente

¼ xícara (50g) de açúcar cristal

½ xícara (88g) de açúcar mascavo claro – aperte-o na xícara na hora de medir

1 ovo grande, temperatura ambiente

½ colher (chá) de extrato de baunilha

2 colheres (chá) de Frangelico (opcional)

1 xícara (175g) de gotas de chocolate amargo ou meio amargo – chocolate picado também funciona; se desejar, aumente um pouco a quantidade de chocolate para decorar os topos dos biscoitos antes de assar

2/3 xícara (93g) de castanhas de caju torradas sem sal, picadas – meça, depois pique

 

Em uma tigela média, misture bem com um batedor de arame a farinha de trigo, a farinha de centeio, o bicarbonato de sódio, a canela e o sal. Reserve.

Na tigela da batedeira, junte a manteiga e os açúcares e bata em velocidade médio-alta até obter um creme claro – raspe as laterais e o fundo da tigela algumas vezes durante todo o preparo da receita.

Junte o ovo e bata bem. Junte a baunilha e o Frangelico e bata.

Com a batedeira desligada, junte os ingredientes secos e então misture em velocidade mínima, somente até uma massa se formar. Desligue a batedeira e incorpore o chocolate e as castanhas de caju usando uma espátula de silicone.

Separe porções de 2 colheres (sopa) niveladas de massa por cookie e coloque em uma assadeira forrada com papel manteiga – como a massa ainda vai para a geladeira, as bolinhas podem ficar próximas umas das outras. Se quiser, decore o topo de cada cookie com um pedacinho de chocolate.

Leve à geladeira por 1 hora e, se quiser, pode refrigerar por até 24 horas.

Preaqueça o forno a 180°C. Forre duas assadeiras grandes com papel manteiga.

Arrume as porções de massa nas formas preparadas, deixando 5cm entre uma e outra.

Asse por 13-15 minutos ou até que comecem a dourar nas extremidades. Retire do forno, deixe esfriar nas assadeiras por 5 minutos, e então deslize o papel com os cookies para uma gradinha. Deixe esfriar completamente.

Os cookies podem ser guardados em um recipiente hermético em temperatura ambiente por até 5 dias. As bolinhas de massa crua podem ser congeladas por até 2 meses – congele em aberto, e então transfira para um saquinho plástico.

Rend.: cerca de 22 cookies

 

quarta-feira, março 16, 2022

Crumble Peach Melba com um toque de fubá e apego


Peach melba crumble com um toque de fubá


Quem me segue no Instagram deve saber que sou fã da Alison Roman: as receitas parecem deliciosas e fáceis de fazer (como a berinjela que postei aqui no blog tempos atrás), ela é divertida, linda, gosta mesmo de comida e os vídeos dela são tão bacanas que, sempre que estou tendo um dia meio bunda, corro para revê-los, pois sempre me deixam mais alegrinha (é isso ou uma bebidinha, e tem dias que faço o combo, porque né, o Brasil deixa qualquer um desgraçado da cabeça).

 

Reparei nos vídeos da Alison que ela sempre, ou quase sempre, usa uma colher de pau para preparar as receitas, uma colher que parece meio velhinha (pelo vídeo tenho a impressão de que falta um pedacinho na ponta). Ela usa a colher para misturar um ensopado, um macarrão com couve-flor (que estou doida pra fazer), entre outras coisas, e além disso sempre prova as receitas usando uma colher dourada: pois bem, Alison é apegada às colherinhas dela, e eu me identifiquei demais com isso.

 

Eu me apego. Eu me apego a muitas coisas. Ou “me agarro”, como diz o meu amigo querido Fellipe.

 

Assim com a Alison Roman, também tenho minha colher de pau preferida, que uso para todas as receitas salgadas (para doces, uso espátulas de silicone que nunca uso em nada salgado). Tenho minha assadeira preferida, já toda manchada com os efeitos do tempo, e o copo favorito que uso para tudo: vinho, água com gás, um drinkinho. Tenho minha almofada favorita pra ver TV no sofá, e o um cobertorzinho pequenino que comprei há anos, no qual me enrolo sempre que esfria – quase o Lino da turma do Charlie Brown.

 

Eu me apego a comidas, também: não pode faltar macarrão nesta casa, sempre tem pão no freezer, o pote de arroz nunca está vazio. Um bolinho para tomar café da tarde, hábito que se intensificou na pandemia, e uma leva de almôndegas no freezer que podem virar almoço ou sanduba. E crumbles: mesmo em dias extremamente quentes já fui louca o suficiente para ligar o forno para fazer um crumble, para depois comer suando, mas feliz. É uma sobremesa que amo, tão caseira e simples e mesmo assim tão deliciosa, que posso fazer com uma variedade enorme de frutas, inclusive congeladas, que é fácil de preparar e leva ingredientes básicos que eu sempre tenho em casa: farinha, açúcar, manteiga.

 

A receita de hoje foi resultado de uns pêssegos lindos que o João trouxe do supermercado no começo de janeiro: alguns estavam maduros e doces e eu os devorei logo de cara. Outros estavam mais sequinhos e meio sem gosto, então foram para o forno em forma de crumble com framboesas que eu tinha no freezer, para lembrar os sabores do Peach Melba, sobremesa inventada por Auguste Escoffier.

 

Testei também usar geleia de framboesa no lugar das framboesas, pois sei que nem todo mundo encontra as frutinhas para comprar, e deu certo: não fica exatamente a mesma coisa, mas fica bom também, desde que a geleia usada não seja doce demais.

 

Vocês também se apegam?

 

Crumble Peach Melba com um toque de fubá

receita minha

 

- xícara medidora de 240ml

 

Cobertura:

¼ xícara (35g) de farinha de trigo comum

¼ xícara (35g) de farinha de fubá mimoso (bem fininho)

2 colheres (sopa) de açúcar demerara ou cristal

1/8 colher (chá) de fermento em pó

1 pitada de canela em pó

1 pitada de sal

3 colheres (sopa) – 42g – de manteiga sem sal, derretida e fria

¼ xícara (22g) de aveia em flocos grossos

 

Recheio:

6 pêssegos grandes (500g no total)

½ xícara de framboesas, frescas ou congeladas – se for usar congeladas, não descongelar antes*

 

Preaqueça o forno a 180°C. Separe 4 potinhos refratários com capacidade para 150ml cada.

 

Cobertura: em um tigela pequena junte a farinha de trigo, o fubá, o açúcar, o fermento , a canela e o sal e misture com um batedor de arame. Acrescente a manteiga e misture com um garfo até obter uma farofa grossa. Incorpore a aveia com o garfo, e então leve a mistura ao freezer por 5 minutos enquanto você prepara o recheio.

 

Corte os pêssegos ao meio e remova os caroços. Em seguida, corte-os em cubos de cerca de 1,5cm. Junte as framboesas e misture levemente – se os pêssegos estiverem muito azedos, junte um pouquinho de açúcar e misture. Divida as frutas entre os potinhos e cubra com a farofinha.

Leve ao forno por cerca de 30 minutos ou até que a cobertura fique bem dourada e a fruta borbulhe.

Sirva puro, com creme de leite, chantilly ou sorvete.

 

* se preferir usar geleia em vez das framboesas, considere cerca de 1 colher (sopa) por potinho e distribua em pequenas porções sobre os pedaços de pêssego

 

Rend.: 4 porções

quarta-feira, março 09, 2022

Fritttata de abobrinha e gorgonzola, a salada da Jennifer Aniston e comidas repetidas


Fritttata de abobrinha e gorgonzola

Dias desses vi alguns posts no Instagram sobre uma tal salada que Jennifer Aniston teria comido no set de Friends todos os dias, por dez anos – confesso que quase caí do sofá, imaginando o porquê de alguém comer sempre a mesma coisa por tanto tempo.


Antes de mais nada, a salada me parece ótima: com triguilho, pepino, grão-de-bico, ervas, feta, pistache, tenho certeza de que é deliciosa, mas passar meses e anos da vida comendo sempre a mesma coisa me dá angústia só de pensar, ainda mais se pensarmos que se trata de uma pessoa rica e que tem condições de comer o que bem entender, onde bem entender.


Como dizia minha avó, “Deus não dá asa a cobra”. :)


Tô aqui julgando a Jennifer, mas tenho mania de comer sempre a mesma coisa no café da manhã: café com leite de castanha de caju, meu pão 100% integral com manteiga ou geleia e uma porção de fruta, geralmente mamão para dar uma ajudinha ao intestino, que já nasceu travado (desculpem pelo excesso de informação). :) Eu admiro quem faz coisas diferentes para o café da manhã, como ovos, panquecas, tapiocas, acho tudo isso delicioso, mas não tem muita paciência cedo para soltar a criatividade na cozinha. Por isso, quando viajava, aproveitava para comer coisinhas gostosas e diferentes nos cafés da manhã nos hotéis ou de padarias e cafés perto deles.


Já no almoço sempre gostei de variar, de comer coisas diferentes: um dia arroz, feijão e legumes, de vez em quando com carne ou frango, em outro macarrão, sanduíche nos dias mais corridos, saladas encorpadas (como a da Jennifer) para o calor, ou na época em que eu levava às vezes marmita para o trabalho. E nisso tudo, tenho meus favoritos, receitas que eu amo e que são versáteis, que posso variar dependendo do que tiver na geladeira, do que estiver mais pra lá do que pra cá, ou dependendo da vontade do momento mesmo. Por exemplo, amo ovo, sou team zoiúdo forever, gosto do danado de tudo quanto é jeito: cozido, frito, pochê, omelete, e as maravilhosas frittatas, que faço de vários sabores e ficam todas incríveis. A que trago hoje é deliciosa e sai bonita e imponente do forno, mas eu fiquei enrolando para tirar a foto (dúvida na cor do fundo), e ela acabou murchando um pouquinho na hora do clique. Tinha planejado coloca-la no livro, mas como ele já está grande demais, publico a receita aqui no blog.


Espero que gostem da minha frittata de abobrinha, mas no atual momento em São Paulo, pelo menos, tá um calor horroroso e ligar o forno é impossível: melhor fazer a frittata em outro momento. Falando em calor, ontem enviei uma newsletter com sobremesas fresquinhas para ajudar a refrescar esses dias (e noites) sufocantes: se quiser ler a cartinha e também se inscrever para recebê-la por e-mail, pode clicar aqui.


Um último detalhe: a receita pede por 2 abobrinhas pequenas – sempre prefiro comprar abobrinhas pequenas, pois são mais saborosas, mais firmes e menos aguadas. Na receita há também o total em gramas, caso você tenha abobrinhas maiores em casa.                                     


Fritttata de abobrinha e gorgonzola

 

1 ½ colheres (sopa) de azeite de oliva

2 dentes de alho, picadinhos

5 raminhos de tomilho fresco, somente as folhas

2 abobrinhas pequenas (aprox. 300g no total), em cubinhos de cerca de 1cm

½ colher (chá) de molho inglês

sal e pimenta do reino moída na hora

1 colher (sopa) de folhas de salsinha fresca, picadinha – meça, depois pique

raspas da casca de 1 limão cravo (ou taiti, ou siciliano)

1 colher (sopa) de vinho branco seco

4 ovos grandes, temperatura ambiente

1 colher (sopa) de parmesão ralado fininho – rale, depois meça

3 colheres (sopa) de gorgonzola, esmigalhado ou grosseiramente ralado se for muito firme

 

Preaqueça o forno a 200°C.


Em fogo médio, aqueça o azeite em uma frigideira de 20cm de diâmetro e que possa ir ao forno (fique atenta ao material do cabo da frigideira). Junte o alho e o tomilho e refogue por 1 minuto, só até perfumar – não deixe o alho queimar, para não ficar amargo.


Junte a abobrinha e misture bem. Acrescente o molho inglês, tempere com sal e pimenta (cuidado com o sal, pois o molho inglês e o gorgonzola são salgadinhos) e refogue por 1-2 minutos. Junte a salsinha, as raspas de limão e o vinho branco, misturando bem, e então espalhe a abobrinha pela frigideira, para que possa receber os ovos.


Em uma tigelinha, bata os ovos com um garfo, tempere levemente com sal e pimenta, junte o parmesão e misture bem. Despeje sobre a mistura da frigideira de maneira homogênea. Espalhe o gorgonzola sobre os ovos.


Baixe o fogo, deixe a frittata firmar por 2 minutos e então leve ao forno por mais 5-6 minutos ou até que a frittata que estufe e doure – ao sair do forno, ela começa a murchar levemente, como se fosse um suflê – não tem problema!


Sirva imediatamente.


Rend.: 2 porções


quarta-feira, fevereiro 09, 2022

Um assunto importante para mim e a opinião de vocês


Minhas queridas e meus queridos, hoje quero conversar com vocês sobre um assunto importante para mim: a história do meu livro.

No meu desabafo de 17 de dezembro, contei para vocês que havia passado muitos meses (pouco mais de um ano) cozinhando, fotografando e escrevendo um livro. Tudo foi feito com bastante carinho, mas em passos de formiguinha, porque eu só tinha tempo de trabalhar no projeto à noite, aos finais de semana e em feriados, por causa do meu trabalho em tempo integral. Depois dos meses difíceis que tive no final do ano passado e começo deste, estou me sentindo melhor (graças à mudança no tratamento para depressão) e, ao ler um pouco do que eu tinha escrito, me deu muita vontade de retomar o projeto e terminá-lo (falta pouco).

Não sei ainda se conseguirei publicar o livro com alguma editora (se alguém tiver algum contato, eu agradeço muito!) ou se terei de fazer algo independente. Como o danado ficou imenso (cheio de fotos!), temo que impresso ficaria caro, portanto estou considerando publicar a versão digital apenas, caso seja mais acessível. Só que isso me fez pensar que talvez não haja tanta procura e/aceitação: sei que muita gente se converteu a livros digitais, especialmente durante a pandemia, porque vejo os elogios ao Kindle nas redes sociais. Entretanto, as pessoas se referem a romances, livros de contos: livros de texto apenas. Não sei como as pessoas se sentem com livros de receita digitais. O meu livro não é propriamente um livro de receitas, e sim um livro de memórias com receitas, com fotos em todas elas (e outras fotos mais).

Por isso, escrevo hoje por aqui para perguntar o que vocês acham sobre o assunto: seria incrível poder contar com a opinião de quem me acompanha, lê o blog e faz as minhas receitas. Quem preferir me mandar um e-mail em vez de comentar aqui, também vou adorar: patricia (ponto) scarpin@gmail.com

Deixo o meu obrigada pela ajuda preciosa e um grande beijo. x

sexta-feira, fevereiro 04, 2022

Um dia bom e um prato de macarrão


Domingo passado foi um dia tão bom que fiquei pensando nele o restante da semana, e mesmo tendo chegado do escritório exausta ontem à noite, não resisti a me sentar na sala com o meu caderno e escrever um pouco sobre este dia.

Depois de muitos (muitos mesmo) finais de semana sem vontade alguma de cozinhar, domingo passado eu tive vontade de fazer algo bem gostoso para o almoço. Depois de pensar um pouco, decidi que faria uma comidinha com sabor de infância, com jeitão dos domingos de quando eu era pequena e ora o almoço era na casa da minha avó, ora na casa da tia Angélica (a dona do bolo de fubá mais maravilhoso do mundo), ora na minha casa, uma receita que além de tudo isso também é o prato favorito do João e do Pingo: macarrão à bolonhesa.

Fui para a cozinha, coloquei um golinho de vinho no meu copo preferido, separei os ingredientes e os coloquei sobre a pia. Aqueci a panela, juntei o azeite e coloquei a carne para dourar. Sal e pimenta, adicionei a cebola e senti aquele cheiro delicioso tomar conta de tudo ao redor. Em seguida vieram o alho, o extrato de tomate, o vinho, e todos os outros ingredientes. E assim saboreei cada passo da receita, cada perfume, tudo sem pressa, sem correria, e se o almoço saísse às três da tarde em vez de meio-dia, tudo bem: eu estava, novamente, sentido prazer com o processo.

Finalizei o molho com um punhado generoso de manjericão, juntei a ele o espaguete e um pouquinho da água do cozimento e deixei cozinhar por um minuto, todos os sabores se misturando, a massa sugando o sabor do molho, o apartamento tomado por um cheiro maravilhoso. Macarrão no prato, chuvinha de pecorino ralado para mim, fio de azeite para o João, mais um pouquinho de vinho no copo, pão para limpar o molho do prato no final: assim tivemos um almoço de domingo gostoso, como havia muito tempo não tínhamos. Foi almoço com gostinho de infância, com gostinho de quando almoços de domingo eram especiais a ponto de eu fazer listas em pequenas cadernetas com todas as ideias de receita que queria provar.

Almoço tão gostoso que deu vontade de escrever aqui no blog. xx

terça-feira, janeiro 18, 2022

Os filmes da TV a cabo


Oi, pessoal, como vocês estão?

Apesar de não estar cozinhando quase nada, hoje senti vontade de escrever aqui no blog, mas o assunto não tem nada a ver com comida, não tem receita – hoje escrevo sobre filmes.

A inspiração para este post veio de um vídeo, um trechinho de uma entrevista do Stephen Fry no programa do Graham Norton – adoro ambos. Olhando para Stephen e toda a sua grandiosidade, tanto em tamanho mesmo quanto em talento, lembrei dele como Oscar Wilde no filme “Wilde”, que vi séculos atrás – além disso, sempre lembro do vídeo que ele gravou implorando que o brasileiros não votasse no Saco de Bosta antes das eleições de2018, o que me faz adorá-lo ainda mais. Esse filme ótimo, que nunca mais encontrei para rever, me fez pensar no quanto a TV a cabo mudou de meados dos anos 90 para cá. Meu pai colocou TV a cabo em casa em 94, se não me engano, e na época chegava uma revista com toda a programação do mês – era um calhamaço, pois além das grades de canais e do que passaria em cada um deles, no final da revista havia uma espécie de índice com os filmes, incluindo título, título original, diretor, elenco, ano de lançamento, e sinopse. Eu agarrava a revista no dia em que ela chegava, levava correndo para o meu quarto e, com uma caneta marca-texto, saía amarelando tudo quando era página, para depois me programar e assistir ao máximo de filmes que pudesse.

Durante aqueles primeiros anos, vi filmes que não existiam nas locadoras – ou eram difíceis de encontrar, pequenas obras-primas, me apaixonei por diretores, atores e atrizes, fui construindo minha lista de favoritos. Filmes incríveis que hoje são mais difíceis de achar do que na época. E eles passavam o tempo todo, ou pelo menos 1 ou 2 vezes por mês, diferentemente de hoje em dia em que são sempre os mesmos filmes, to-da se-ma-na, isso quando não é o mesmo passando em dois canais diferentes.

Naquela época vi na TV a cabo filmes como “Wilde”, de que falei no começo do post, alguns outros dos quais já tinha ouvido falar ou lido a respeito nas revistas “Set” que eu lia na biblioteca, como “O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante”, “Perdas e Danos”, “O Amante”, “Taxi Driver”, “Traídos pelo Desejo”, e outros que eu nem sabia que existiam, como “Absolute Beginners”, “Anjos e Insetos”, “Coração Selvagem”, “Um Sonho Sem Limites”, “Jamón, Jamón”, “Colcha de Retalhos”.

Até o Telecine Cult, que costuma ser um alívio para quem não gosta de filme de super-herói ou não suporta Adam Sandler, anda tão repetitivo: geralmente está passando “Flashdance”, ou “De Volta para o Futuro”. Desânimo.

Saudades de zapear a TV e ver as bizarrices do David Cronenberg em “Gêmeos: Mórbida Semelhança” ou “Mistérios e Paixões”. Imagina ir trocando de canal e dar de cara com as loucuras de Peter Greenaway, ver filmes de começo de carreira de Paul Thomas Anderson, Richard Linklater ou Cameron Crowe, descobrir que Ben Stiller já dirigiu filme bacana e que Kathryn Bigelow é fodona há tempos, muito antes de ganhar o Oscar.

Vocês também tem filmes queridos do passado que não encontra mais em lugar nenhum para rever? Me conta? xx

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