quarta-feira, maio 22, 2019

Pão 100% integral e pequenas metas

English version

Pão 100% integral

Levanta a mão quem, como eu, faz resoluções de ano novo e depois de um tempo percebe que deu o passo maior que a perna, prometendo coisas que não consegue cumprir, estabelecendo metas que só causam frustração? :\

Temos que escolher nossas batalhas, e as que escolhi e tenho conseguido lutar são as de voltar a ver prazer em cozinhar e comer melhor, e uma está bastante ligada à outra, é bem verdade. Voltei a fazer meu leite vegetal em casa (confesso que às vezes dá uma preguiça gigante, mas tudo bem) depois de passar alguns meses tomando leite sem lactose: é prático demais abrir a caixinha de leite e despejar na xícara, claro, mas já percebo a pança menos inchada. Pequenas vitórias que comemoro todos os dias. Também tenho feito meu pão para levar na marmita do café da manhã para o trabalho e me sinto virtuosa ao comer meu pãozinho caseiro, delicioso, e que me deixa saciada até perto da hora do almoço (quando comia o pão na chapa comprado no térreo do prédio sentia fome pouco tempo depois). Faço um filão de pão no domingo, congelo em fatias e elas me rendem o suficiente para a semana inteira.

Andei fazendo um pão que levava farinha branca + farinha de centeio e ficou uma delícia – qualquer hora divido a receita com vocês. Quando vi um pão feito com 100% de farinha integral no site da King Arthur Flour tive que testar: amo pães integrais e os comentários eram bem positivos (aliás, se você entende inglês e gosta de baking, o site deles é imperdível). Adaptei um nada da receita, diminuindo a quantidade de mel, omitindo o leite e jogando uns flocos de aveia por cima, pra deixar bem lindo. Espero que gostem tanto quanto eu.

UPDATE
: fiz o pão substituindo 50g da farinha integral por flocos de quinoa e ficou delicioso, incrivelmente macio!

Pão 100% integral


Pão 100% integral
Um nadinha adaptado daqui

1 xícara (240ml) de água morna
2 ½ colheres (chá) de fermento biológico seco
¼ xícara (60ml) de óleo vegetal – usei canola
2 colheres (sopa) de mel
400g de farinha de trigo integral – prefiro usar uma farinha fina, como a Mãe Terra; geralmente uso a Mirella refinada em tudo, mas a Mirella integral acho grosseira demais
1 ¼ colher (chá) de sal
1 colher (sopa) de aveia em flocos grossos

Coloque a água e o fermento na tigela da batedeira (ou em uma tigela grande se for sovar na mão). Espere espumar, cerca de 5 minutos. Adicione o óleo, o mel, a farinha e o sal e misture com uma espátula. Sove na batedeira com o gancho para massas pesadas por 10 minutos, ou na mão por 15-17 minutos, ou até obter uma massa homogênea, lisa e sedosa, que descola nas laterais da tigela/das mãos. Cubra com filme plástico e deixe crescer por 1 ½ horas a 2 (se estiver muito frio a massa demora mais para crescer).

Unte muito levemente com óleo uma forma de bolo inglês com capacidade para 6 xícaras de massa.
Dê um soquinho no centro da massa para retirar o excesso de ar. Em uma superfície levemente enfarinhada, abra a massa até obter um retângulo de aproximadamente 30x20cm. Enrole-o como um rocambole, formando um cilindro, e ajeite com as mãos para que ele caiba na forma, deixando a emenda virada para baixo. Cubra com filme plástico ou um pano de prato limpo e seco e deixe crescer novamente por 40 minutos. Enquanto isso, preaqueça o forno a 200°C.
Quando o pão terminar de fermentar, pincele a superfície dele com um pincel embebido em água e polvilhe com a aveia, pressionando bem de leve para que os grãos grudem (alguns vão se desprender quando o pão estiver assado, não se preocupe). Leve ao forno for 30 minutos ou até dourar bem – para verificar se o pão está pronto dê batidinhas na superfície com os nós dos dedos: o som deve ser de algo oco. Deixe esfriar na forma sobre uma gradinha por 5 minutos e então desenforme com cuidado sobre a gradinha. Deixe esfriar completamente.

Rend.: 8-10 fatias

sábado, maio 04, 2019

Risoto de abóbora assada, espinafre e manjerona para uma amiga


Risoto de abóbora assada, espinafre e manjerona

Quem acompanha o blog percebe que há uma grande quantidade de louças, talheres e paninhos nesta casa: eu realmente não sei mais onde vou enfiar tanta coisa. :D Quem me lê também sabe que fiquei muito tempo de teto baixo, quando nada referente à cozinha me interessava. E neste período não comprei nada novo. O

Outro dia, ao sair para almoçar com uma amiga, demos uma voltinha pela Tok&Stok, pois ela precisava de capas de almofada. Fui xeretar as louças e vi estas tigelinhas, tão lindas, e logo já fui imaginando o que serviria nelas – só como um exercício, não pensava em comprá-las. Comentei com a Vi: “nossa, um prato de arroz, como risoto ou arroz doce, ficaria incrível nesta louça”. Ela responde: “compra logo, estão em promoção. Quero ver uma foto bem bonita depois”.

Minha amiga tem segurado a minha mão nos últimos meses, que tem sido barra, e é tão incrível comigo que resolvi seguir o seu conselho: trouxe as tigelinhas para casa e fiz um risoto bem delicioso.

Espero que minha amiga goste da receita e da foto, pois fiz pensando nela. <3


Risoto de abóbora assada, espinafre e manjerona

receita minha

Abóbora assada:

300g de abóbora japonesa (cabotiá)
1 colher (sopa) de azeite
sal e pimenta do reino moída na hora

Risoto:

2 colheres (sopa) de azeite
½ cebola, picadinha
¾ xícara (165g) de arroz arbóreo ou carnaroli
¼ xícara (60ml) de vinho branco seco
3 xícaras (720ml) de caldo de legumes caseiro
70g de espinafre congelado, já descongelado
sal e pimenta do reino moída na hora
2 colheres (sopa) de manteiga
3 colheres (sopa) de parmesão ralado bem fininho
1 colher (sopa) de folhas de manjerona fresca

Preaqueça o forno a 200°C. Forre uma assadeira grande e rasa com papel alumínio e pincele-o levemente com azeite – se usar assadeira antiaderente não precisa forrar com papel.
Coloque os pedaços de abóbora em uma tigela, regue com o azeite, tempere com sal e pimenta e misture bem para envolver todos os pedacinhos. Espalhe os cubos de abóbora sobre o papel e leve ao forno por 25-30 minutos, virando os cubinhos na metade do tempo – asse até que estejam dourados. Reserve.

Comece o risoto: aqueça uma panela média em fogo médio-alto. Junte o azeite e quando aquecer adicione a cebola, refogando até que fique transparente. Junte o arroz e refogue por 2-3 minutos, mexendo, até que todos os grãos fiquem cobertos de azeite. Junte o vinho e refogue até que evapore. Acrescente 1 concha de caldo quente e vá mexendo até que o caldo quase seque. Acrescente outra concha de caldo e vá mexendo novamente até que ele quase seque – vá repetindo o processo até que o arroz fique al dente, o que vai levar cerca de 20 minutos (talvez você não use todo o caldo). Na metade do processo acima, junte o espinafre e ¾ dos cubos de abóbora. Tempere com sal e pimenta, mas cuidado com o sal, pois a abóbora já está temperada.

Acrescente o parmesão, a manteiga e a manjerona e misture. Prove e acerte o sal se necessário, tampe a panela e aguarde 2 minutos. Transfira o risoto para os pratos de servir e salpique com a abóbora restante. Sirva imediatamente.

Rend.: 2 porções

quarta-feira, março 20, 2019

Picolés de brigadeiro e um post sobre amor


Picolés de brigadeiro

Final de semana passado assisti ao documentário “Jane Fonda em Cinco Atos” e fiquei um bom tempo pensando no que Jane disse sobre sua relação com a mãe, com o pai, com os filhos, sobre amor. Ela conta que nunca se sentiu amada pela mãe e como isso influenciou seu relacionamento com a primeira filha. É um documentário interessante e recomendo muito para quem gosta não só de cinema, mas de relacionamentos e História também.

Mas vocês vão me perguntar “Patricia, o que é que Jane Fonda tem a ver com picolés de brigadeiro?” A princípio, nada, se bem que acho que Jane iria gostar de prová-los. :)

O que me fez ligar a receita ao documentário foi ver o meu pequeno em casa, no mesmo final de semana, tomando picolé, receita que ele me ajudara a fazer, segurando o palito com as mãos fofinhas, tentando em vão não se sujar todo de chocolate enquanto o picolé derretia e pingava sobre sua barriga. Corri para pegar um pratinho, para proteger o picolé caso despencasse do palito, e ao final Pingo me disse, com chocolate desde a testa até o umbigo: “Dedé, me dá aqui o prato, eu adoro esse caldinho de sorvete”. :)

O post de hoje é sobre sorvete, mas também é sobre amor. Espero que vocês provem a receita (é muito boa e dá pra fazer em saquinho de gelinho, também, como o outro picolé que postei tempos atrás) e também que a vida lhes traga muito amor. Eu fiquei anos sedenta por este sentimento e hoje me sinto inundada por ele.

Picolés de brigadeiro
receita minha

1 receita de brigadeiro - faça do jeito que mais gostar; como eu queria um brigadeiro menos doce, usei 50g de chocolate 70% cacau picado no lugar do cacau/chocolate em pó
600ml de leite semidesnatado gelado (usei leite sem lactose e deu muito certo)

Deixe o brigadeiro esfriar completamente e então bata no liquidificador com o leite até obter uma mistura homogênea. Transfira para a forma de picolé. Leve ao freezer por 30 minutos (ou um pouco mais, dependendo do seu freezer – você quer os picolés ligeiramente firmes, para que os palitos não fiquem dançando), insira os palitos e então gele por mais 6 horas ou de um dia para o outro. Eu polvilhei os picóles com chocolate granulado para fazer graça na foto, mas eles ficam bem mais gostosos sem isso.

Rend.: 10 picolés de 80ml cada

segunda-feira, março 11, 2019

Bolo de fubá, laranja e coco - um bolo com um significado muito especial


Bolo de fubá, laranja e coco

Eu poderia dizer que o post de hoje é um desabafo, mas seria dramático demais - enquanto escrevo isso, lembro da minha chefe suíça Raffaella, tão querida, que voltou para Zurique e que brincava me chamando de "drama queen". :)
Havia muito tempo que não fazia receitas novas - andava mesmo só cozinhando o basicão, por necessidade, sem sentir prazer nenhum. Cozinhava porque precisava comer, pronto - assim mesmo, bem sem graça. Não me lembrava de quando me sentira assim da última vez, talvez nunca? Desde a adolescência eu sempre me sentia feliz na cozinha e fazia bem mais de um ano que isso não acontecia. Todas as receitas que vocês tem visto aqui são as que desenvolvi para o livro, coisa antiga que eu não queria deixar guardada, receitas tão boas que precisavam ser compartilhadas com quem ainda sente alegria ao cozinhar, mas coisa nova mesmo, não havia. Eu pensava no que seria do blog quando o estoque de receitas do livro acabasse...

Mas o Universo tem jeitos muito particulares de agir e o meu pequenino, que não é mais tão pequenino assim - fez 4 anos mês passado - estava aqui em casa outro dia e como já tínhamos brincado de tudo o que vocês puderem imaginar eu não sabia mais como distrair a criança que não para um minuto sequer. Com o horário do jantar chegando, me deu uma luz de repente e perguntei se ele queria fazer pizza comigo - a ideia foi rapidamente aceita e para a cozinha nós fomos. Fizemos a massa juntos, para depois deixar a batedeira sovar, e algumas colheres-medida e punhados de farinha espalhados depois nossa massinha estava na tigela, coberta com plástico e crescendo. A alegria do Pingo ao saber que estava fazendo algo que comeria mais tarde me deu uma energia completamente nova. Depois do tempo de descanso, abrimos a massa juntos, ele apertando o rolo com suas mãos fofinhas, espalhando molho com as costas da colher (e furando a massa, mas tudo bem, fui grudando tudo de novo, beliscando a massa), jogando queijo por cima... Senti uma felicidade como havia muito não sentia. Ele me ajudou a tirar as folhas de manjericão dos galhinhos, feliz da vida, para que eu as espalhasse sobre a pizza ao tirá-la do forno. E depois comemos o resultado do nosso trabalho e ele disse que a pizza da Dedé era mais gostosa do que a pizza da pizzaria.

Ele voltou outro dia, fizemos pizza novamente, e também picolé e bolo. Ele amou fazer bolo e me dizia que o cheirinho vindo da cozinha era muito gostoso. Fizemos juntos o bolo que lhes trago hoje e só agora, escrevendo o post, é que me dou conta de que é um bolo com fubá, por uma coincidência. O meu primeiro bolo da vida foi de fubá e quem é leitor veterano do blog sabe disso.

Para vocês terem uma ideia de quanto tempo fazia desde a minha última foto de comida, a bateria da câmera estava completamente descarregada quando a peguei para fotografar o bolo. Fiquei um tempão tentando encontrar um jeito de fazer uma foto bonita: bolo inteiro, bolo cortado, paninho de uma cor, paninho de outra, prato este, prato aquele. Não sei bem se as fotos me agradaram - vai ver, perdi o meu mojo -, mas para sempre vou me lembrar deste bolo como o primeiro bolo que fiz com o Pingo. O bolo que me tirou do estupor de mais de um ano sem querer sequer ligar o forno.

Bolo de fubá, laranja e coco

Bolo de fubá, laranja e coco
receita minha

Bolo:
1 xícara (140g) de farinha de trigo
3/4 xícara (105g) de fubá
1 1/2 colheres (chá) de fermento em pó
1 pitada de sal
1/2 xícara (50g) de coco ralado sem adição de açúcar
raspas da casca de 1 laranja grande
1 xícara + 1 colher (sopa) - 212g - de açúcar cristal ou refinado
1/2 xícara + 2 colheres (sopa) - 140g - de manteiga sem sal, temperatura ambiente
1 colher (sopa) de óleo de canola
3 ovos grandes, temperatura ambiente
1 colher (chá) de extrato de baunilha
3/4 xícara (180ml) de leite, temperatura ambiente

Glacê:
1/2 xícara (70g) de açúcar de confeiteiro, peneirado - meça, depois peneire
2-3 colheres (chá) de suco de laranja

Preaqueça o forno a 180°C. Unte com manteiga e enfarinhe uma forma de furo central com capacidade para 8 xícaras de massa.
Em uma tigela média, misture bem com um batedor de arame a farinha, o fubá, o fermento, o sal e o coco. Reserve.
Na tigela da batedeira, junte o açúcar e as raspas de laranja e esfregue-os juntos com as pontas dos dedos até perfumar o açúcar. Junte a manteiga e o óleo e bata em velocidade média até obter um creme claro e fofo - raspe as laterais da tigela ocasionalmente durante todo o preparo da receita. Junte os ovos, um a um, batendo bem a cada adição. Junte a baunilha e bata bem. Com a batedeira em velocidade baixa, junte os ingredientes secos reservados em três adições, alternando com o leite em duas adições, começando e terminando com os ingredientes secos. Misture bem, mas não bata em excesso para não desenvolver demais o glúten da farinha de trigo.
Transfira a massa para a forma preparada e alise a superfície. Asse por 40-45 minutos ou até que o bolo cresça e doure (faça o teste do palito). Deixe esfriar na forma sobre uma gradinha por 20 minutos e então desenforme com cuidado. Esfrie completamente.

Glacê: misture os ingredientes em uma tigelinha até obter a consistência desejada. Despeje sobre o bolo.

Rend.: 8-10 fatias

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Picolés de iogurte, coco e morango para dias de trinta (e muitos) graus

Picolés de iogurte, coco e morango

Fico até meio sem jeito de voltar aqui depois de tanto tempo com uma receita tão besta como a de hoje (4 ingredientes apenas!), mas no calor que anda fazendo aqui em São Paulo estes picolés vem bem a calhar.
Dá para trocar os morangos por pedaços de manga, por exemplo, para usar uma fruta que está na época agora. E quem não tem forma de picolé pode apelar para o bom e velho saquinho de gelinho (ou geladinho, ou sacolé, dependendo de onde você me lê agora).

Quando eu tinha os meus 12-13 anos fazia dezenas de gelinhos e enchia o freezer da casa da minha tia – os mais populares eram os de doce de leite (leite condensado cozido na panela de pressão + leite) e o de chocolate (chocolate dos padres + leite + açúcar). Eu fazia uns gelinhos de fruta também, com suco Maguary (#quemnunca), mas eles sempre acabavam sobrando no fundo do freezer enquanto os outros acabavam em um piscar de olhos. ;)

Picolés de iogurte, coco e morango
receita minha

1 ½ xícaras (390g) de iogurte natural integral
1 xícara (240ml) de leite de coco
3 colheres (sopa) de açúcar (ou a gosto)
20 morangos sem os cabinhos e cortados em fatias finas

Em uma tigela grande, misture bem o iogurte, o leite de coco e o açúcar. Vá despejando a mistura aos poucos nos moldes de picolé, intercalando com pedacinhos de morango – desta forma eles ficarão distribuídos pelo picolé em vez de ir para o fundo do molde (os que eu tenho tem 80ml cada).
Leve ao freezer por 30 minutos, insira os palitos e então gele por mais 6 horas ou de um dia para o outro.

Rend.: 10 picolés de 80ml cada

sexta-feira, fevereiro 08, 2019

Cookies de laranja e chocolate branco e a minha previsão furadíssima para o Oscar

Cookies de laranja e chocolate branco

Janeiro chegou e passou, as indicações para o Oscar saíram e uma das atrizes mais maravilhosas do mundo vai, muito provavelmente, levar a estatueta para casa, prêmio este que ela já deveria ter ganhado duas vezes. Vi “A Esposa” e Glenn está simplesmente esplêndida – e, para ser justa, Jonathan Pryce também está.

Da última vez que postei cookies por aqui fiz uma previsão para o Oscar de Melhor Ator deste ano e, opa, errei feio. Joaquin injustamente não está na lista, ninguém deu a mínima para “O Primeiro Homem”, portanto só acertei Rami Malek, que é forte candidato a levar o prêmio: ele ganhará com uma dentadura assim como Nicole ganhou com um nariz postiço.

Trago cookies novamente, mas desta vez não vou fazer nenhuma previsão: aguardemos até o dia 24 de fevereiro. Enquanto isso, quem, como eu, gosta de cítricos pre-ci-sa experimentar esta receita deliciosa e perfumada de laranja.

Aproveito para avisar que quem me pediu orçamento dos livros a venda que responderei os emails nos próximos dias. Desculpem-me pela demora. x

Cookies de laranja e chocolate branco
receita minha

1 ½ xícaras + 1 colher (sopa) – total de 220g – de farinha de trigo
½ colher (chá) de bicarbonato de sódio
1 pitada de sal
1/3 xícara (65g) de açúcar cristal
raspas da casca de 1 laranja grande
½ xícara (88g) de açúcar mascavo (aperte-o na xícara na hora de medir)
2/3 xícara (150g) de manteiga sem sal, temperatura ambiente
1 ovo grande, temperatura ambiente
1 colher (chá) de extrato de baunilha
200g de chocolate branco picado ou em gotas

Preaqueça o forno a 180°C e forre duas assadeiras grandes e rasas com papel manteiga. Em uma tigela média, misture com um batedor de arame a farinha, o bicarbonato e o sal. Reserve.

Na tigela da batedeira, junte o açúcar cristal e as raspas de laranja e esfregue com as pontas dos dedos até o açúcar ficar aromatizado. Junte o açúcar mascavo e a manteiga e bata até obter um creme claro – raspe as laterais da tigela ocasionalmente durante todo o preparo da receita.
Junte o ovo e a baunilha e bata para incorporar. Acrescente a mistura de ingredientes secos de uma vez e misture em velocidade baixa somente até incorporar e uma massa se formar. Com uma espátula de silicone, incorpore o chocolate branco.

Faça bolinhas usando 2 colheres (sopa) niveladas de massa por biscoito e coloque-as nas assadeiras preparadas deixando 5cm de distância entre elas. Asse por 12-14 minutos ou até que os biscoitos dourem bem nas extremidades. Deixe esfriar nas assadeiras por 5 minutos e então deslize o papel com os biscoitos para uma gradinha e deixe esfriar completamente.

Rend.: cerca de 25 unidades

quarta-feira, janeiro 30, 2019

Frango assado com limão siciliano e alho


Frango assado com limão siciliano e alho

Será que ainda há alguém por aqui? :) Uma leitora me perguntou no Instagram se o blog havia parado - faz mesmo tempo que não o atualizo, não tem me sobrado tempo e confesso que depois de passar o dia inteiro trabalhando em um computador a vontade de sentar à frente de outro quando chego em casa é zero. Portanto, não, o blog não parou, mas os posts não são mais tão frequentes quanto eram em um passado distante. Aproveito para pedir desculpas para quem andou me mandando email: não consegui responder todos.

Eu tenho alguns filmes preferidos que revejo de vez em quando, mesmo quando a lista de filmes e séries “para assistir” está grande – são filmes tão bons e/ou queridos que não tem jeito: se estiverem passando na TV eu paro para ver.

No feriado eu assisti novamente a “Os Suspeitos” e mesmo vinte e três anos depois e sabendo o plot twist do final o filme ainda é uma delícia de ver. É incrível o que um bom diretor faz com um ator pobrinho como Stephen Baldwin: ouso dizer que McManus é provavelmente seu único papel decente na carreira (já escrevi aqui no blog antes sobre atores ruins que entregaram performances ótimas nas mãos de bons diretores: é algo que sempre me fascina).

Frango assado é um negócio que pode se tornar chato e sem graça num piscar de olhos: se a marinada não for saborosa, o bichinho fica sem gosto. Pouco tempo no forno também não ajuda: deos me dibre de frango branquelo com cara de isopor. Mas a gente pode caprichar no tempero e transformar o Stephen Baldwin, ops, o frango em algo espetacular: na receita de hoje, muito simples, alho, alecrim e limão siciliano transformam o franguinho sem graça em almoço saboroso.

Lembrando que ainda há muitos livros bacanas à venda e a lista está aqui.

Frango assado com limão siciliano e alho
receita minha

5 dentes de alho bem amassados, até formarem uma pasta – se tiver um pilãozinho, junte parte do sal com o alho dentro do pilão e bata até obter a pasta
raspas da casca e o suco de 2 limões sicilianos
1/3 xícara (80ml) de vinho branco seco
2 colheres (chá) de sal
pimenta do reino moída na hora
4 galhinhos de alecrim fresco
8 coxas de frango, ou os pedaços que preferir

Em uma tigela grande misture bem o alho, as raspas e o suco de limão, o vinho, o sal e a pimenta. Junte o alecrim e o frango e misture bem para cobrir bem todos pedaços com a marinada. Cubra com filme plástico e leve à geladeira por no mínimo 4 horas (de um dia para o outro é melhor ainda).
Preaqueça o forno a 190°C. Forre uma assadeira com uma camada dupla de papel alumínio e pincele com azeite – se preferir, use uma assadeira antiaderente e não use o papel. Retire o frango da marinada e arrume sobre o papel, deixando espaço entre um pedaço e outro. Leve ao forno por cerca de 1 hora – o tempo pode variar dependendo do tamanho dos pedaços de frango e do quão queimadinho você gosta do seu frango.

Rend.: 4 porções

segunda-feira, novembro 12, 2018

Conchinhas recheadas com berinjela e ricota, dormindo sentada e descobertas da madrugada


Conchinhas recheadas com berinjela e ricota

De uns anos para cá eu geralmente durmo sentada no sofá se insisto em assistir a algum programa depois das dez da noite – simplesmente não tenho mais energia para ficar vendo TV até tarde. Lembro dos meus anos de adolescente em que ficava assistindo a clipes na MTV ou filmes até a madrugada, e foi assim que descobri “More than Words” antes de virar hit chiclete nas rádios do Brasil (babava litros no cabelão do Nuno Bettencourt). Foi em uma noite insone que vi pela primeira vez o clipe do Kansas, “Dust in the Wind”, com o tiozão esquisito tocando violino, e em outra noite em claro que conheci a mistura de Drácula, Fantasma da Ópera e Fera do Meat Loaf (aliás, adoro o clipe até hoje e a música está em uma das playlists do meu Spotify). :)

As minhas descobertas videoclípticas nada tem a ver com a receita de hoje, mas como eu lembrei tanto disso estes dias resolvi escrever sobre isso. Uma das coisas mais legais do blog é “conversar” com vocês. Quem aí dorme sentada no sofá toca aqui – e quem gosta de berinjela também: high five. :)

Lembrando que ainda tenho livros ótimos à venda, lista aqui.

Conchinhas recheadas com berinjela e ricota
receita minha, uma variação desta receita aqui

- xícara medidora de 240ml

Molho de tomate:
1 colher (sopa) de azeite de oliva
½ cebola grande bem picadinha
2 dentes de alho grandes, amassados e picadinhos
1 vidro de passata (680g)
½ colher (sopa) de açúcar
sal e pimenta do reino moída na hora
1 punhado de manjericão fresco

Macarrão e recheio:
36 unidades de macarrão concha (6cm)*
1 ½ colheres (sopa) de azeite de oliva
½ cebola grande bem picadinha
2 dentes de alho grandes, amassados e picadinhos
1 berinjela grande (300g), em cubos pequenos
2 tomates bem maduros, sem as sementes, passados pelo processador até virarem um purê espesso
sal e pimenta do reino moída na hora
1 pitada de noz-moscada ralada na hora
2 colheres (sopa) de manjericão fresco picado - pique, depois meça
1 xícara de ricota – usei caseira
¼ xícara de queijo parmesão ralado bem fininho – rale, depois meça

Prepare o molho: em uma panela média, aqueça o azeite em fogo médio-alto. Junte as cebolas e refogue até que estejam transparentes. Junte o alho e refogue por mais 1-2 minutos – não deixe queimar para não amargar o molho. Acrescente os tomates e o açúcar. Encha ¼ do vidro com água, tampe a garrafa e agite para remover todos os restinhos de tomate e junte à panela. Tempere com sal e pimenta e cozinhe, mexendo ocasionalmente, por cerca de 15 minutos ou até que o molho fique mais espesso. Junte o manjericão, misture, tampe e retire do fogo.

Cozinhe o macarrão em água fervente com sal até que fique al dente. Escorra e deixe esfriar. Pré-aqueça o forno a 200°C.

Recheio: em uma panela grande, aqueça o azeite em fogo médio-alto. Junte a cebola e refogue, mexendo algumas vezes, até ficar transparente. Junte o alho e refogue por cerca de 1 minuto ou até perfumar – novamente, não deixe queimar para não amargar o recheio. Junte a berinjela e refogue, mexendo algumas vezes, até dourar e ficar macia. Acrescente os tomates, tempere com sal, pimenta e noz-moscada e cozinhe, mexendo de vez em quando, até que quase todo o líquido da panela evapore. Junte o manjericão e retire do fogo. Deixe esfriar por 5 minutos e então incorpore a ricota e o parmesão.

Espalhe o molho em uma tigela refratária grande. Com o auxílio de uma colher, recheie generosamente as conchinhas de macarrão com o recheio de berinjela. Arrume as conchinhas sobre o molho, pressionando-as levemente para que fiquem mergulhadas nele. Leve ao forno até que borbulhe, cerca de 30 minutos. Sirva em seguida.

* algumas conchinhas podem quebrar ao serem cozidas na água, por isso é uma boa ideia cozinhar algumas a mais

Rend.: 4-5 porções

segunda-feira, outubro 29, 2018

Madeleines de maracujá para um dia cinza e um obrigada pelo afeto de vocês


Madeleines de maracujá

Escrevi um post semana passada reclamando de falta de ânimo e quem me segue nas redes sociais sabe que hoje estou um trapo. Levantar da cama foi difícil, só levantei mesmo por causa do montão de boletos para pagar todo o mês – não fossem eles, eu estaria deitada embaixo do edredom até agora.

Ontem recebi um email malcriado de leitora zombando de mim por causa das eleições. Fiz algo que nunca fizera antes: bloqueei no gmail. Vou fazer a minha bolha de amor e nela não há espaço para ódio. Não há espaço para gente preconceituosa, racista, machista, homofóbica, fascista. Na minha bolha tem muito afeto, carinho e sim, tem comida boa, também. Porque precisamos estar fortes para a luta que vem aí. E tem que ter beleza e ternura para que aguentemos o que está vindo por aí. Por isso lhes trago hoje madeleines, tão pequeninas e delicadas, e ainda assim tão deliciosas.

Obrigada pela avalanche de carinho no Instagram: vocês são simplesmente maravilhosos. <3

Aproveito para agradecer quem comprou livros comigo – obrigada! E quem ainda não comprou pode clicar aqui para ver a lista das unidades disponíveis.

Madeleines de maracujá
um tiquinho adaptadas da sempre lindíssima Australian Gourmet Traveller

- xícara medidora de 240ml

1 tablete (100g) de manteiga sem sal + um pouquinho extra para untar as forminhas
1 colher (sopa) de mel
½ colher (chá) de extrato de baunilha
1/3 xícara (80ml) de polpa de maracujá – eu uso com as sementinhas pois adoro o visual e a crocância, mas quem quiser pode passar pela peneira
1 xícara + 1 colher (sopa) – 150g – de farinha de trigo
½ xícara (100g) de açúcar cristal
1 pitada de sal
2 ovos grandes

Coloque a manteiga em uma panelinha e leve ao fogo médio-alto até derreter e começar a dourar. Retire do fogo, acrescente o mel, a baunilha e a polpa de maracujá, misture e deixe chegar à temperatura ambiente.
Enquanto isso, coloque a farinha, o açúcar, o sal e os ovos em uma tigela média e misture com um batedor de arame até obter um creme homogêneo. Aos poucos, incorpore a mistura de manteiga à mistura de farinha e bata bem até ficar homogêneo. Cubra com filme plástico e leve à geladeira de um dia para o outro – se estiver com pressa, refrigere a massa por pelo menos 40 minutos.

Pré-aqueça o forno a 200°C. Unte com a manteiga derretida extra 24 forminhas de madeleine com capacidade para 1 colher (sopa) de massa cada. Enfarinhe e remova o excesso. Coloque uma colherada de massa em cada forminha e asse até que as madeleines dourem, cresçam e firmem, 10-12 minutos. Ao retirar do forno, remova-as das forminhas e deixe esfriar completamente sobre uma gradinha.

Rend.: 24 unidades

segunda-feira, outubro 22, 2018

Tabule de quinoa


Tabule de quinoa

Há mais de doze anos escrevo aqui e este blog me trouxe muita alegria. Entretanto, ultimamente, com o que está acontecendo no Brasil, não tenho mais energia ou vontade de fazer muitas coisas, entre elas escrever aqui. O futuro que vislumbro é sombrio demais.

Trago hoje um tabule que faço de vez em quando trocando o trigo para quibe por quinoa. Só junto pepino, tomate, cebola e ervas frescas (geralmente uso manjericão, salsinha e/ou hortelã) à quinoa cozida, escorrida e fria, tempero com azeite, limão, sal e pimenta do reino moída na hora e sirvo. Quando não quero ficar com bafinho faço sem cebola mesmo. :) No verão costumo comer esse tabule toda semana. É fresquinho e delicioso.

Não tem receita, faço a olho mesmo, e nunca tempero a porção toda, pois o que sobra dá para guardar na geladeira e levar de marmita, com o molho levado separadamente. Recomendo bastante.

Ainda tenho livros muito bacanas à venda, e aqui está o link para quem tiver interesse em comprá-los.